Após morte de menina em desafio no Discord, escolas irão convocar pais de alunos
A Prefeitura de Naviraí detalhou o plano de ação preventiva que será implementado na Rede Municipal de Ensino no retorno das férias escolares. Após a repercussão da operação policial que desmantelou uma rede de extremismo on-line — responsável pela morte de uma estudante de 13 anos em julho —, a Gerência Municipal de Educação reuniu diretores e a Coordenação Pedagógica para traçar um protocolo focado tanto na saúde mental dos estudantes quanto na orientação às famílias.
O trabalho começou de forma direcionada no ambiente escolar onde a vítima estudava e agora será expandido para a conscientização dos responsáveis sobre o uso seguro e o monitoramento do celular por parte dos jovens.
A primeira etapa dos trabalhos contará com o apoio psicológico aos colegas da menina. “Inicialmente, foi feito um trabalho na sala na qual a estudante frequentava, um acompanhamento focado no comportamento e posicionamento dos estudantes em relação ao luto. Esse monitoramento começou logo na semana passada, assim que retornamos às aulas”, informou o prefeito Rodrigo Sacuno (PL).
Pais serão convocados
A prefeitura também iniciará mobilização com a convocação de pais dos alunos matriculados do 6º ao 9º ano. Os responsáveis serão convidados a comparecer às escolas para participar de palestras e reuniões de orientação. O objetivo central é informar as famílias sobre aplicativos de controle parental, para que os responsáveis possam monitorar o que os filhos estão consumindo na internet.
“Vamos mostrar aos pais que existem dezenas de jogos, mas também existem aplicativos e ferramentas para acompanhar os acessos, ver com quem estão conversando e limitar o tempo de permanência nessas redes”, pontuou o prefeito.
Grupo extremista fazia meninas de ‘escravas’, diz polícia

Em coletiva de imprensa, a delegada titular da DEPCA, Anne Karine, revelou que o grupo — composto majoritariamente por adolescentes — operava com foco em atrair meninas em situação de vulnerabilidade emocional ou social para submetê-las a dinâmicas de dominação, extremismo e mutilação.
Para ganhar “respeito” na hierarquia do grupo e fama nas redes, as vítimas eram submetidas a rituais de violência e autoviolação. “Entre as tarefas dadas, elas tinham de se automutilar e deixar os nomes dos ‘donos’ no próprio corpo”, explicou a delegada.
As apurações apontam que o grupo utilizava plataformas como Discord e Telegram para disseminar ideologia neonazista, misoginia, discurso de ódio e exigências de maus-tratos a animais e abusos mentais.
No dia 22 de julho, a adolescente, de 13 anos, foi encontrada morta na varanda da casa onde morava, em Naviraí. Ela foi encontrada pela mãe e pelo padrasto, por volta das 6h.
Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido. O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia.
Tempos depois, o mesmo grupo criminoso, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.
Plataforma diz que colaborou com autoridades
Após o ocorrido, a plataforma Discord emitiu nota, afirmando estar comprometida com a segurança dos usuários e dizendo ter colaborado com as autoridades sobre o caso da adolescente de MS: “O Discord não tolera a atuação de grupos ou indivíduos extremistas em sua plataforma. Estamos comprometidos com a segurança dos usuários e contamos com equipes dedicadas a interromper a atuação desses grupos, remover conteúdos que violem nossas regras e adotar medidas contra os responsáveis por essas condutas. O Discord mantém um diálogo contínuo com o sistema judiciário brasileiro, incluindo o Ministério da Justiça, e busca cooperar com as investigações das autoridades brasileiras de acordo com a lei. Neste caso, o Discord compartilhou proativamente informações com as autoridades que contribuíram para as operações que resultaram na prisão dos envolvidos.”
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