Campo Grande inicia multivacinação com alerta para risco de retorno do sarampo
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) inicia nesta segunda-feira (3), em Campo Grande, a Estratégia de Multivacinação 2026, mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Saúde que seguirá até 1º de setembro. A campanha tem como foco principal a atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes com menos de 15 anos, mas estará aberta à população de todas as faixas etárias que necessite regularizar o esquema vacinal.
A ação ocorre em um momento de preocupação crescente com a possibilidade de reintrodução do sarampo na Capital. Após seis anos sem registros da doença, a Sesau classifica como “muito alto” o risco de novos casos, diante da cobertura vacinal insuficiente e da circulação do vírus em áreas próximas à divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. A doença, considerada eliminada no Brasil, permanece sob vigilância por causa da ocorrência de surtos em países vizinhos e do aumento da circulação internacional do vírus.
Durante a campanha, todas as salas de vacinação das Unidades de Saúde da Família (USFs) estarão preparadas para avaliar a situação vacinal dos usuários e aplicar as doses em atraso previstas no Calendário Nacional de Vacinação. A estratégia tem como objetivo ampliar os índices de cobertura vacinal, reduzir o risco de reintrodução de doenças imunopreveníveis e fortalecer a proteção coletiva da população.
Embora a mobilização seja direcionada prioritariamente a crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias, a Sesau informa que pessoas de qualquer idade poderão aproveitar o período para verificar a situação vacinal e receber as doses recomendadas.
Para agilizar o atendimento, a orientação é que pais e responsáveis apresentem documento oficial com foto da criança ou adolescente, além do Cartão Nacional de Saúde (CNS) e da caderneta de vacinação, quando disponíveis. A ausência da caderneta, contudo, não impede a avaliação nem a aplicação das vacinas, já que as equipes de saúde poderão consultar o histórico vacinal e realizar a atualização necessária.
Segundo a chefe do Serviço de Imunização da Sesau, Ananda de Melo, a campanha representa uma oportunidade para identificar esquemas vacinais incompletos que muitas vezes passam despercebidos pelos responsáveis.
“Nem sempre os responsáveis percebem que há alguma dose em atraso. Durante a campanha, nossas equipes verificam a situação vacinal e realizam a atualização da caderneta, quando necessário, garantindo mais proteção para as crianças, os adolescentes e para toda a comunidade”, afirma.
A vacinação é considerada uma das principais estratégias de prevenção contra doenças graves, internações e mortes. Além da proteção individual, a manutenção da caderneta em dia reduz a circulação de vírus e bactérias, ampliando a proteção coletiva e diminuindo o risco de surtos.
Sarampo preocupa autoridades de saúde
O reforço da campanha ocorre em meio ao alerta das autoridades sanitárias para o risco de reintrodução do sarampo em Campo Grande. A cobertura da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está em aproximadamente 75%, percentual abaixo do recomendado para impedir a circulação do vírus.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, avalia que o cenário exige atenção permanente.
“O risco de retorno da doença para cá é alto”, afirma.
Transmitido de pessoa para pessoa e de elevada capacidade de contágio, o sarampo pode provocar complicações graves e levar à morte, especialmente entre crianças.
“Tem risco de óbito, principalmente em crianças”, alerta a superintendente.
Os últimos casos confirmados em Campo Grande ocorreram em 2020, quando dez pessoas foram diagnosticadas com a doença. No ano anterior, em 2019, Mato Grosso do Sul registrou quatro casos, sendo dois em Campo Grande e dois em Três Lagoas.
Mais recentemente, em 2025, um surto de sarampo na Bolívia aumentou a preocupação das autoridades sanitárias brasileiras, especialmente nas regiões de fronteira, como Corumbá, diante do maior risco de transmissão.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS), até 18 de julho de 2026 haviam sido registrados 14 casos suspeitos de sarampo no Estado. Desse total, 11 foram descartados, enquanto três permaneciam em investigação.
Sintomas podem ser confundidos com doenças respiratórias
Os primeiros sinais do sarampo costumam se assemelhar aos de outras infecções respiratórias, dificultando o reconhecimento inicial da doença.
“Começa com febre, coriza e conjuntivite”, explica Veruska Lahdo.
Diante desse quadro, a principal medida preventiva continua sendo a vacinação.
A Sesau reforça o apelo para que pessoas com esquema vacinal incompleto procurem uma unidade de saúde, inclusive adultos que não sabem se foram imunizados ou perderam o registro da vacinação.
“A gente solicita que as pessoas que ainda não tomaram, inclusive adultos que não lembram se tomaram a vacina, procurem a unidade de saúde para fazer essa atualização”, recomenda a superintendente.
A tríplice viral é indicada para crianças a partir dos 12 meses de idade, além de adolescentes e adultos de até 59 anos que ainda não tenham sido imunizados ou não possuam comprovação da vacinação. O imunizante protege simultaneamente contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Veruska Lahdo, o Ministério da Saúde mantém alertas permanentes sobre o risco de transmissão da doença, enquanto o município acompanha continuamente os registros nacionais e internacionais relacionados ao sarampo.
“O sarampo é uma doença que preocupa, e o Ministério ampliou a vacinação para adultos também”, destaca.
As orientações variam conforme a faixa etária. Pessoas com até 29 anos devem comprovar duas doses da vacina tríplice viral. Já aqueles com idade entre 30 e 59 anos precisam ter registrado pelo menos uma dose.
Para quem não se recorda da vacinação ou não possui mais a carteira vacinal, a recomendação é procurar uma unidade de saúde, onde o histórico será avaliado por um profissional.
“Quem não lembra se tomou ou não sabe onde está a carteirinha, o ideal é que procure a unidade de saúde e o profissional vai avaliar e dizer se precisa de duas doses ou uma”, conclui a superintendente.
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