Com mais de mil casos por ano, incidentes em hemodiálise crescem 76% em Mato Grosso do Sul

24 de agosto de 2026
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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu 1.089 notificações por incidentes relacionados à hemodiálise em Mato Grosso do Sul, somente nos sete primeiros meses de 2026. No ano passado, houve alta de 76,3% nesses casos. Um registro grave ocorre, em média, a cada 16 dias no Estado.

Em abril, pacientes precisaram de socorro médico ao mesmo tempo durante hemodiálise na clínica DaVita, em . Um morador de , de 62 anos, morreu no dia 30, internado na Capital. A causa foi registrada como “septicemia bacteriana e pneumonia”. Outra paciente morreu no dia 18 de maio, após internação.

Entre 2020 e 2026, Mato Grosso do Sul acumulou 4.303 notificações relacionadas à hemodiálise. Foram apenas dois registros em 2020, número que passou para 38 em 2021, 174 em 2022 e 358 em 2023. A quantidade subiu para 956 em 2024 e atingiu o recorde de 1.686 no ano seguinte — alta de 76%.

Conforme a Anvisa, a maior parte dos incidentes registrados é relacionada a efeitos adversos ou falhas na própria hemodiálise. Também causam reclamações falhas em processos ou procedimentos clínicos, além de erros na identificação de pessoas, queda do paciente e problemas no cateter venoso.

Dois incidentes graves por mês

Clínica de hemodiálise. (Foto: Divulgação, MPMS)

No ano passado, dos 1.686 incidentes registrados na Anvisa, três resultaram em morte. Outros 29 foram considerados graves, 95 tiveram impacto moderado, 1,3 mil foram de natureza leve e 220 não causaram danos aos pacientes.

Já em 2026, nenhum óbito foi oficialmente registrado com ligação às clínicas de hemodiálise no Estado. As mortes relacionadas à DaVita Campo Grande seguem em investigação pela Polícia Civil, pela Vigilância Sanitária Estadual e pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Entre os mais de mil incidentes notificados à Agência Nacional neste ano, quatro foram de natureza grave, 64 moderados e 904 leves. Entre eles, há, inclusive, eventos adversos sem danos ao paciente. Os outros 117 incidentes não provocaram dano, segundo dados da Anvisa.

Somando os eventos graves e óbitos registrados nos últimos dois anos, Mato Grosso do Sul acumula 36 incidentes mais relevantes. Ou seja, em média, há um caso desse tipo a cada 16 dias no Estado, o que significa cerca de dois por mês.

Investigação em Campo Grande

A 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande apura se a causa das mortes de pacientes renais foi “descaso da clínica” de hemodiálise DaVita, localizada na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande. Investigação identificou indícios de remédios vencidos e falta de higiene na unidade de saúde.

A unidade também é alvo de inquérito aberto pelo MPMS e de processo administrativo sanitário em julgamento na SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de MS).

A fiscalização encontrou 12 falhas sanitárias relacionadas à segurança dos pacientes, à higienização de equipamentos, ao controle da qualidade da água, aos registros assistenciais e à comunicação de eventos adversos.

Reúso de capilares

Pacientes e ex-funcionários da clínica informaram à reportagem que era comum os capilares arrebentarem durante o uso, o que causava transtornos no tratamento. Além disso, segundo os relatos, os capilares só eram reutilizados em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). A clínica DaVita nega.

Há dois anos, uma pessoa alertou a clínica DaVita sobre o assunto, em avaliação no Google. “Penso que precisam se preocupar mais com o risco de infecções, lavagens de capilares, desinfecção no local da fístula. Estão ocorrendo sempre infecções em corrente sanguínea, por favor, vejam isso mais de perto”, escreveu.

A Vigilância Sanitária Estadual informa que a reutilização de capilares até 20 vezes para o mesmo paciente não é proibida, “desde que mantenha processos rigorosos de limpeza e desinfecção” e “caso o capilar esteja íntegro e em pleno funcionamento”.

 

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