Comitiva de MS conhece na Coreia do Sul escola que virou referência em ensino internacional

Dirigentes da Fiems, do Sebrae/MS e da Fecomércio-MS visitaram a Chadwick International, escola internacional de Songdo, na Coreia do Sul, para conhecer de perto o sistema de ensino de um dos países mais bem avaliados do mundo em educação. A visita faz parte da Missão Internacional Canton Fair + Coreia do Sul, promovida pela Fiems e pelo Sebrae-MS, que leva mais de 50 empresários sul-mato-grossenses à Ásia entre 14 e 24 de outubro.
Quem recebeu o grupo foi um brasileiro. Natural de Fortaleza e formado pela Unifor, Soleiman Dias tem doutorado pela Hanyang University, mora na Coreia há mais de duas décadas e trabalha na Chadwick desde 2009, onde hoje é diretor de Ex-Alunos e Relações Internacionais. Em 2022 ele recebeu do governo brasileiro a Ordem de Rio Branco pela contribuição às relações entre os dois países.
A escola
A Chadwick International foi fundada em 2010 na Zona Econômica Livre de Incheon e começou com 280 alunos. É ligada à Chadwick School, escola norte-americana fundada em 1935. Hoje tem 1.468 estudantes de 66 nacionalidades, um professor para cada oito alunos e quatro programas do Bacharelado Internacional (IB), do pré-escolar ao fim do ensino médio.
Por que a Coreia
No Pisa 2022, a avaliação internacional da OCDE, os estudantes coreanos fizeram 527 pontos em matemática, contra 472 da média da OCDE e 379 do Brasil. O país investe 5,6% do PIB em educação pública, acima da média de 4,7% da OCDE, e 70,6% dos jovens de 25 a 34 anos têm ensino superior, a maior taxa entre os países da organização. O modelo também tem um custo: rotina de estudos intensa, gasto alto das famílias com cursinhos e preocupação crescente com a saúde mental dos alunos.

Educação como investimento
Para o 1º vice-presidente da Fiems e presidente do Sinfor-MS, Luiz Gonzaga Crosara Júnior, a experiência reforça a necessidade de compreender a educação como investimento estratégico para o futuro da economia. “Ao visitar a Coreia, percebemos que o grande diferencial de uma nação não está apenas nas tecnologias que ela produz, mas na capacidade de formar pessoas para criá-las. A indústria do futuro vai exigir muito mais do que conhecimento técnico. Vai precisar de profissionais capazes de pensar, inovar, trabalhar em equipe e resolver problemas. Essa preparação começa na escola”, afirma Crosara.
A experiência dialoga com a atuação da Fiems por meio do Sesi em Mato Grosso do Sul. A rede Escola Sesi oferece educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Entre seus diferenciais estão a iniciação científica, os projetos de inovação, a robótica, a educação tecnológica, o empreendedorismo e o ensino de inglês com carga horária ampliada. Essas práticas aproximam o aprendizado de situações concretas, e a visita oferece referências para aprofundar essa conexão, considerando as diferenças culturais e pedagógicas entre os dois países.
“A Fiems já compreende que a educação é parte fundamental da competitividade industrial. O que buscamos em experiências internacionais como esta não é simplesmente copiar modelos, mas identificar práticas que possam enriquecer o trabalho desenvolvido pelo Sesi-MS e ampliar as oportunidades para nossos estudantes”, destaca Crosara. O tema ganha relevância com a expansão industrial de Mato Grosso do Sul, que exige profissionais preparados para uma economia cada vez mais tecnológica e diversificada.
Empreendedorismo desde a escola

Para o superintendente interino do Sebrae/MS, Luiz Aurélio Adler, a ideia também é adaptar, não copiar. “Não se trata de copiar o modelo coreano, mas de compreender o que podemos adaptar às características e às oportunidades da nossa economia”, disse. Ele destacou a forma como a escola faz o aluno participar ativamente do próprio aprendizado, com projetos, trabalho em equipe e problemas reais. Segundo ele, a visita pode reforçar programas que o Sebrae já tem nas escolas de MS, como o Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), voltado ao ensino fundamental. “O futuro de Mato Grosso do Sul será construído pela capacidade de unir educação, empreendedorismo e cooperação.”
Disciplina e criatividade

O vice-presidente da Fecomércio-MS, Renato H. Perez, contou que a entidade participou para qualificar a nova diretoria e levar referências ao Sesc e ao Senac. O que mais chamou a atenção dele foi o peso que a sociedade coreana dá à educação. “A rotina de estudos é intensa, com muita disciplina, carga horária elevada e um alto nível de exigência”, observou. Para ele, o caminho é unir essa constância às qualidades brasileiras: “Podemos unir uma rotina de estudos mais estruturada e exigente às nossas próprias qualidades”. Sobre a recepção, disse que “ser recebido por um brasileiro à frente de uma instituição internacional dá um significado especial à visita”.
A missão volta a Campo Grande na madrugada de 25 de outubro.
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