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Deltan recebeu pagamento de empresa investigada na Lava Jato

Em 2018, o procurador chefe da força tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol recebeu R$ 33 mil por uma palestra para Neoway. A empresa é investigada na operação Lava Jato e citada na delação que tem como personagem principal o ex-deputado federal petista, Cândido Vacareza, preso em 2017 após envolvimento em propinas na BR Distribuidora. A informação da #Vazajato é da reportagem da Folha de São Paulo em colaboração com o site The Intercept Brasil. 

Deltan também aproximou a Neoway de outros procuradores com a intenção de comprar produtos para uso da Lava Jato. Ele chegou a gravar um vídeo para a empresa, enaltecendo o uso de produtos de tecnologia em investigações – a Neoway vende softwares de análise de dados.

Quando percebeu que havia recebido dinheiro e feito propaganda grátis para uma empresa investigada pela Lava Jato, o procurador ficou constrangido entre os colegas. Mas só comunicou à corregedoria do Ministério Público Federal para se declarar suspeito, quase um ano depois de receber da empresa fe azer lobby para sua contratação.

Novos serviços

Após a palestra realizada no badalado resort Costão do Santinho em Florianópolis (SC), o procurador comenta no chat do Telegram da possibilidade de Jaime de Paula, proprietário da Neoway prestar serviços ao grupo de combate a corrupção da procuradoria federal do Paraná. Deltan inclusive relatou que a empresa cogitava fornecer produtos gratuitamente para o MPF.

“Olhem que legal. Sexta vou dar palestra para a Neoway, do Jaime de Paula. Vejam a história dele: https://endeavor.org.br/empreendedores-endeavor/jaime-de-paula/. A neoway é empresa de soluções de big data que atende 500 grandes empresas, incluindo grandes bancos etc.”

Declaração de impedimento de Deltan

“Na data da palestra, a empresa não era investigada no âmbito desta força-tarefa da Lava Jato e eu desconhecia que a empresa seria mencionada no futuro em colaboração premiada a qual seria firmada pela procuradoria-geral da República, em Brasília. No sistema que contém informações sobre delações da Lava Jato e em sua base de dados, não constava qualquer menção à existência de delação ou investigação sobre a empresa que pudesse indicar a existência de potencial conflito de interesses”, prosseguiu Deltan.

Mas a Neoway já havia aparecido em documentos oficiais em duas ocasiões. A primeira em março de 2016 e a segunda noutro documento, criado em abril de 2017, que continha novos depoimentos do lobista. Ambos foram enviados ao grupo de Telegram do qual Dallagnol fazia parte. 

OUTRO LADO

Segundo os artigos 104 e 258 do Código de Processo Penal e o artigo 145 do Código de Processo Civil, procuradores, assim como os juízes, devem se declarar suspeitos e se afastar de processos em que sua atuação pode ser questionada – como ter tido contrato de trabalho ou relação de parentesco com alguma das partes. A declaração de suspeição deve ser registrada no processo.

Como o inquérito 5028472-59.2019.4.04.7000, que envolve o caso da Neoway em Curitiba, é sigiloso, não foi possível apurar se Deltan e outros procuradores de fato registraram suas suspeições no caso.

Deltan Dallagnol pediu um prazo adicional de 24 horas para responder aos fatos apresentados pela reportagem da Folha e The Intercept Brasil – ela estava programada para ser publicada ontem, quinta-feira –, se comprometendo a falar com os repórteres. Em seguida, ele mudou de ideia e se recusou a conversar com os profissionais do Intercept, aceitando apenas responder às perguntas da Folha. A declaração a seguir, assim, foi feita ao repórter Flávio Ferreira.

“Não reconheço a autenticidade e a integridade dessas mensagens, mas o que posso afirmar, e é fato, é que eu participava de centenas de grupos de mensagens, assim como estou incluído em mais [de] mil processos da Lava Jato. Esse fato não me faz conhecer o teor de cada um desses processos. Se, por acaso, por hipótese, eu tivesse feito parte [do grupo no qual a Neoway apareceu em documentos], certamente não tomei conhecimento. Se soubesse não teria feito, e, sabendo, me afastei”, disse.

Nós também procuramos a Neoway. Em nota, a empresa confirmou que presta serviços para a BR Distribuidora. Os contratos foram firmados em janeiro de 2012, novembro de 2014, março de 2017 e março de 2019 – este último ainda está vigente, com duração até março de 2020, no valor de R$ 3.385.140, e foi fechado com inexigibilidade de licitação.

Ainda em nota, a Neoway diz que a contratação de Dallagnol para a palestra realizada em março de 2018 “foi remunerada em valores compatíveis com o mercado para atividades dessa natureza, com total observância às leis”. A empresa também informa que não prestou serviços para o projeto LInA, do MPF, e para o MP-MG, e “desconhece a menção a seu nome em depoimentos de terceiros”.

A defesa do ex-deputado Cândido Vaccarezza informou que Jorge Luz mente a seu respeito, e que ele “nunca sugeriu, pediu, aceitou, recebeu ou autorizou quem quer que seja a receber em seu nome vantagem, pagamento, benefício ou dinheiro de forma ilícita”. Vander Loubet disse que “desconhece os termos” em que foi citado e que “suas relações sempre foram institucionais”.

A defesa de Jorge e Bruno Luz “assevera que seus clientes estão à disposição das autoridades públicas para prestar todos os esclarecimentos, no momento oportuno e nos autos dos eventuais processos”.

Matéria completa no link https://theintercept.com/2019/07/26/deltan-dallagnol-palestra-empresa-investigada-lava-jato/

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