Despesa com servidores cresce acima da arrecadação em Campo Grande

11 de agosto de 2026
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As despesas com pessoal da Prefeitura de Campo Grande cresceram em ritmo superior ao da arrecadação no primeiro semestre de 2026, mesmo em um cenário de contingenciamento de gastos mantido pela administração da prefeita Adriane Lopes (PP) há mais de um ano. Os dados do balanço orçamentário apontam que os gastos liquidados com servidores ultrapassaram R$ 1,630 bilhão, enquanto a receita realizada registrou expansão inferior.

De acordo com os números oficiais, a arrecadação municipal aumentou cerca de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025. Já as despesas liquidadas com pessoal avançaram 8,1%, passando de R$ 1,508 bilhão para R$ 1,630 bilhão. Paralelamente, a dotação orçamentária destinada à folha de pagamento foi ampliada em 13,5%, alcançando R$ 3,511 bilhões para o exercício de 2026.

Contingenciamento convive com aumento dos salários do alto escalão

O crescimento das despesas ocorre em meio à política de contenção de gastos adotada pela administração municipal desde o ano passado. Nesse período, entretanto, os reajustes salariais não atingiram de forma ampla o funcionalismo público. Os únicos aumentos concedidos foram destinados à prefeita e aos integrantes do primeiro escalão.

Dados do Portal da Transparência mostram que o subsídio da prefeita Adriane Lopes passou de R$ 21.263,62, em dezembro de 2024, para R$ 31.912,16 em fevereiro de 2026. A variação representa um aumento de aproximadamente 50% em dois anos, percentual muito superior à inflação acumulada no mesmo intervalo.

A remuneração dos secretários municipais apresentou crescimento ainda mais expressivo. No mesmo período, o subsídio saltou de R$ 11.619,70 para R$ 25.511,95, o que corresponde a um reajuste de 119,55%. Embora o decreto de contingenciamento mantenha um desconto de 20% sobre esses vencimentos, os secretários continuam recebendo R$ 20.409,56 mensais, valor que representa um ganho acumulado de aproximadamente 75% em relação ao patamar anterior.

Servidores terão reajuste parcial após quatro anos

A situação é diferente para os servidores municipais. Após quatro anos sem reajuste geral durante a gestão Adriane Lopes, a administração anunciou uma recomposição de 4,39%, que será paga de forma parcelada.

Pelo cronograma definido pela prefeitura, a primeira parcela, de 2,20%, será incorporada aos salários a partir de agosto de 2026. A segunda, de 2,19%, somente será aplicada em março de 2027.

Reajuste alcança apenas parte do funcionalismo

Além de escalonado, o reajuste não contemplará todo o quadro de servidores municipais. A medida foi limitada a pouco mais de 9 mil trabalhadores, entre servidores efetivos e uma parcela dos aposentados.

Na prática, o benefício deverá atingir cerca de 24% do funcionalismo municipal de Campo Grande, deixando de fora aproximadamente 30 mil servidores, segundo os dados apresentados pela própria administração.

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