Doce esforço: maratonista de Campo Grande vende brigadeiro para competir na Coreia do Sul
Ela não para, literalmente. A maratonista de Campo Grande, Rosinha Conceição, segue em busca da medalha no Campeonato Mundial de Atletismo Master de Daegu 2026, na Coreia do Sul. Para ajudar nessa nova meta, a diarista segue vendendo brigadeiros gourmet pelas ruas da cidade.
A competição acontece em agosto; portanto, a atleta corre contra o tempo para arrecadar R$ 30 mil. Logo, Rosinha percorre a Avenida Afonso Pena, próximo ao Parque das Nações Indígenas, com a caixa térmica e o sorriso, vendendo cada caixinha com quatro unidades de brigadeiro por R$ 20.
Foi por meio da garra vendendo brigadeiros que Rosinha representou o Brasil na Suécia, no Mundial Master de Atletismo, e, recentemente, no Sul-Americano de Atletismo Master, que aconteceu em Santiago, no Chile. Inclusive, Rosinha subiu ao pódio e conquistou o terceiro lugar na última competição.
“A ideia de vender brigadeiro para competir intencionalmente veio de amigos que já competem. Um disse: ‘Vende tábua de frios’ e o outro: ‘Vende brigadeiro’. Pensei em fazer os dois e deu muito certo. Agora, inventei de fazer o brigadeiro para pet, que sai muito aos fins de semana para quem passeia com o ‘filho de quatro patas’. Eles adoram”, descreve a atleta.
Inspiração digna de um filme
Rosinha conta aos clientes que o objetivo da vez é chegar à Coreia do Sul; no entanto, quem é abordado nem sequer imagina a história de superação, digna de um filme, por trás da cesta de doces. Rosinha pesava quase 100 quilos e quase morreu ao participar de uma corrida pela primeira vez.
“A sensação do primeiro km foi desafiadora. A primeira corrida foi a Corrida Tiradentes, com percurso pelo bairro TV Morena; dava volta e chegava a 15 km. Eu cheguei aos 10 km, mas fui parar na Santa Casa, por passar mal. Eu corri achando que era fácil. Eu me preparei por duas semanas, achando que estava pronta. Na minha cabeça, correr era andar rápido, não tinha noção das dificuldades.”

Apesar do susto, foi o incentivo de amigos e familiares que a mantiveram no caminho até o pódio. “Não me deixaram desistir. Naquela época, o meu peso já estava rendendo piadinhas, e eu queria minha saúde de volta.”
“Não é à toa que agora meu sonho é ir para a Coreia, primeira vez na Ásia. Lá vou correr cinco provas: 1,5 mil metros, 5 km, 8 km, 10 km e 21 km. Serão dois dias de viagem, daqui até lá, e dois para voltar. Se não me engano, só eu e outro atleta daqui vamos correr lá. O valor alto e a distância são demais.”
Barreiras? Não tem
Sobre a barreira linguística, já que as línguas asiáticas estão consistentemente no topo da lista das mais difíceis para falantes de português brasileiro aprenderem, Rosinha diz que não há barreiras.
“Eu fui para o mundial na Suécia, só eu e Deus, sozinha. E recorri ao Google Tradutor. Antes, você se prepara para perguntar como se diz ‘Wi-fi, socorro’.”
Outra dificuldade superada é aliar o treinamento com as vendas para chegar ao campeonato. “Eu tenho uma planilha de treinamento do treinador, o Antônio. Ele me alerta, dizendo que não é ‘uma corrida de fundo de quintal’. Todo mundo me pergunta que horas eu descanso. Dou um jeito, pois mundial não é para qualquer um. Quero voltar com a medalha e dizer: ‘Eu já tenho um mundial’.”
Custos altos
O valor da meta irá custear passagem, hospedagem, alimentação e imprevistos. A conta também inclui exames obrigatórios para a participação, que variam de R$ 600 a R$ 800.
“Os exames precisam estar em ordem. Se não estiverem em dia, não participa. Não é um simples cardiograma, mas um exame mais complexo, que varia de R$ 600 a R$ 800 em clínicas. Se eu fosse fazer pela UPA (Unidade de Pronto Atendimento), o exame tende a demorar meses, não tem um prazo ágil.”
Rosinha não tem patrocinadores, mas conta com amigos que conhecem sua trajetória. “Eles sempre estão me apoiando, vendo minha luta, me conhecem como pessoa. Isso eleva a autoestima, pois eu sei que vou lá mostrar que o apoio valeu a pena.”
Quer ajuda?
Para representar Campo Grande, Mato Grosso do Sul e o Brasil nessa competição, além das vendas de doces, Rosinha conta com a solidariedade dos campo-grandenses para alcançar esse sonho. Quem puder contribuir com qualquer valor, a maratonista recebe as contribuições pelo Pix (67) 99217-9053.
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