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Estudos mostram pico da pandemia na véspera do aniversário de Campo Grande

Foto: Izaías Medeiros/CMCG

Campo Grande tem apresentado média diária de 388 casos de coronavírus por dia, número alto, mas que tem se mantido estável na última semana. Caso o comportamento atual, principalmente em relação a distanciamento social, mantenha-se, as projeções indicam que a cidade pode chegar ao pico da doença no dia 25 deste mês, com 19,1 mil infectados, fechando o mês com 21.670 casos confirmados. 

Os dados constam em pesquisas desenvolvidas pelas universidades Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), apresentadas na quarta-feira (19) na Câmara de Vereadores.  

Os especialistas alertaram que a redução dos números e medidas para evitar colapso na ocupação de leitos dependerá da tomada de decisões em relação a medidas restritivas e do comportamento em geral da população quanto às ações de prevenção. Até terça, eram 16.662 casos confirmados e 255 óbitos.    

A pesquisa da UFMS foi apresentada pelos professores Earlandson Ferreira Saraiva, do Instituto de Matemática da Universidade de Mato Grosso do Sul, e pelo professor Leandro Sauer, da Escola de Administração e Negócios da UFMS. Eles avaliam as notificações, confirmações e número de leitos, fazendo estimativas com base em estudos matemáticos. Os modelos avaliados demonstram que, caso seja mantido o comportamento atual, não haverá colapso na ocupação de leitos em Campo Grande, mas a preocupação continua para que os casos não subam e também em relação às transferências de pacientes do interior do Estado.   

Somente nos 17 primeiros dias de agosto, foram confirmados 5.623 novos casos de coronavírus em Campo Grande, com 307 pessoas internadas e 120 óbitos. “Temos um cenário de estabilização, mas manter ou não depende do comportamento das pessoas, o que influencia nos números”, afirmou o professor Earlandson, alertando que as confirmações ainda seguem altas. Os modelos apontam que a taxa de ocupação podem chegar a 95%.  

“Se mantivermos o cenário atual, isso vai ocorrer, mas se ocorrer movimento de pessoas na rua não dá para garantir que esse cenário vai ocorrer. Os números são influenciados pelo comportamento das pessoas”, afirmou o professor Earlandson. Caso ocorra alguma aglomeração de pessoas, as projeções podem ser alteradas. “Olhamos apenas para Campo Grande, mas pode ocorrer de pacientes do interior virem para Campo Grande, algo que também vai impactar”, completou.  

Os relatórios são produzidos semanalmente pela UFMS com dados de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, subsidiando as secretarias de saúde e também estão sendo solicitados por outras instituições, a exemplo da própria Câmara Municipal e Ministério Público Estadual.  Os dados mostram que os números aumentaram em agosto, mas numa taxa menos explosiva do que tinha sido inicialmente projetado, segundo o professor Leandro – os números continuam crescendo, mas num ritmo menor do que o que anteriormente tinha sido estimado. 

Comparativo  

A pesquisa do professor doutor Sandro Marcio Lima, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, faz um comparativo do cenário mundial sobre o coronavírus com o cenário no Brasil e em Campo Grande, monitorando como a pandemia ocorreu e o os dados de outros países. Inicialmente, são apresentados dados da China, Itália e Brasil. Na Itália, por exemplo, a queda ocorre depois das medidas de lockdown adotadas. “No caso do Brasil, além de não percebemos o ápice, não estamos tomando iniciativas para que a curva viesse neste patamar mais desejado”, afirmou. 

O professor alerta que os números estão altos, mas estacionados. Entretanto, avalia que não dá para projetar como será o comportamento nos próximos dias.  “Este comportamento vai se manter? Vai subir ou descer? É o grande gargalo! Nada garante que é o patamar máximo. Está estacionado num patamar elevado. Não dá para acreditar que ainda não teremos ocupação de leitos ainda elevada”, afirmou.  

Ocupação de leitos 

A pedido da Comissão, ele analisou a média de ocupação de leitos, que está de 80% a 90%, “um limiar ainda crítico, que não permite conforto”.  Ainda, avaliou a taxa de isolamento, que está numa média de 37% neste período em que este patamar foi atingido. “É muito crítico. Pouco se comparado com a necessidade do que precisamos e pouco se comparado com outros países, como Italia onde passou de 60%”, afirmou. 

O vereador Eduardo Romero afirmou que as pesquisas concordam de que há essa estabilização nos casos, mas de forma emblemática porque os casos continuam altos. “Não é conforto e estabilidade, pois seguimos com ponto crítico. A ocupação de leitos acima de 80% gera preocupação, pois sendo necessários precisam estar disponíveis”, afirmou. Ele reforçou ainda como as pesquisas apontam para a influência das medidas preventivas. “A projeção mostrou que as medidas não são isoladas. A dificuldade vai além da obrigação da saúde pública e da estruturação do sistema, pois é uma mudança cultural. Não somos preparados para o isolamento, essa quebra da afetividade, e os índices não tem sido satisfatórios. Não existe solução mágica;  existe necessidade de termos conhecimento científico para decisões acertadas”, disse.  

Analisando os gráficos apresentados, o vereador Dr Livio questionou sobre as medidas que podem ter sido adotadas para um achatamento na curva de casos do dia 3 a 10 deste mês, abordando se houve influência dos decretos do mês de julho, com fechamento de comércio aos finais de semana. O professor Sandro ponderou que se essa medida surtiu efeito, mas deixou de ser aplicada, o oposto pode ocorrer no comportamento do gráfico, retornando a patamares mais altos. Os professores analisam a importância de esses modelos serem considerados, ouvindo especialistas da área da saúde, para saber os reflexos das decisões tomadas. 

“O comportamento da curva depende das tomadas de decisões. Se estamos tendo um comportamento que está resultando em poucas variações, temos que tomar decisões para reverter isso e sair desse patamar, para que essa curva mude, para um patamar mais aceitável”, alertou o professor da UEMS.  A contribuição das universidades também foi destacada durante a live. 

A Comissão Especial em apoio ao Combate à Covid-19 realiza live todas as quartas-feiras, às 9h30, com a presença de convidados. O objetivo é manter a população informada sobre as ações de enfrentamento ao coronavírus, A Comissão é composta pelos vereadores Dr. Lívio (presidente), Eduardo Romero, Pastor Jeremias Flores, Betinho e Delegado Wellington.

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