Presidente Lula discursa em hotel de São Paulo após a reeleição

Lula é reeleito; Flávio vence em MS e em Campo Grande

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Presidente Lula discursa em hotel de São Paulo após a reeleição
Lula discursa em São Paulo após ser reeleito no domingo (25). Foto: Reprodução/TV, via O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no domingo (25), no 2º turno, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 100% das seções totalizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), conforme consulta feita nesta segunda-feira (26), às 6h22 (horário de MS), Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. O TSE registra Lula como “Eleito”. Em Mato Grosso do Sul, onde a totalização chegou a 100%, o resultado foi o inverso: Flávio teve 927.892 votos (59,60%) e Lula, 628.973 (40,40%). Em Campo Grande, Flávio somou 312.867 votos (61,11%), contra 199.121 (38,89%) de Lula.

É o quarto mandato de Lula, que já governou o país de 2003 a 2010 e voltou ao cargo em 2023. Segundo g1, Folha, UOL, Estadão e Reuters, é a primeira vez desde 1989 que o candidato que ficou em segundo lugar no 1º turno vence o 2º. No dia 4, Flávio tinha terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Os números do TSE

Consulta feita nesta segunda-feira (26), às 6h22 (MS). Totalização nacional concluída no arquivo do TSE de domingo (25), às 22h27 (MS); MS e Campo Grande também com 100%.

Brasil Mato Grosso do Sul Campo Grande
Seções totalizadas 100% (499.248) 100% (7.106) 100% (2.189)
Lula (PT) 64.256.232 (51,79%) 628.973 (40,40%) 199.121 (38,89%)
Flávio Bolsonaro (PL) 59.826.041 (48,21%) 927.892 (59,60%) 312.867 (61,11%)
Diferença 4.430.191 votos para Lula 298.919 votos para Flávio 113.746 votos para Flávio
Eleitorado apto 158.745.502 2.024.437 641.177
Comparecimento 128.236.074 (80,78%) 1.594.460 (78,76%) 527.124 (82,21%)
Abstenção 30.509.005 (19,22%) 429.977 (21,24%) 114.053 (17,79%)
Votos válidos 124.082.273 1.556.865 511.988
Brancos 1.430.496 (1,12%) 14.958 (0,94%) 5.783 (1,10%)
Nulos 2.723.305 (2,12%) 22.637 (1,42%) 9.353 (1,77%)

Percentuais dos candidatos sobre os votos válidos; brancos e nulos sobre o total de votos.

Mato Grosso do Sul

Não houve 2º turno para governador em MS. Eduardo Riedel (PP) foi reeleito no 1º turno, em 4 de outubro, com 914.323 votos (67,07% dos válidos), segundo o TSE. No domingo, os eleitores de MS votaram apenas para presidente.

A votação no Estado terminou às 16h (horário de MS). Segundo o Correio do Estado, o TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) informou que não recebeu determinação formal para estender o horário, depois da decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação no país. “O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul não recebeu nenhuma ordem, nenhum ato formal ou do Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior Eleitoral determinando que se estenda os horários dos locais de votação”, disse Olivar Augusto Conneglian, auxiliar da Vice-Presidência e Corregedoria do TRE-MS, ao jornal. O juiz eleitoral Luiz Felipe disse ao g1 MS que o sistema não permite reabrir as urnas depois de emitidos os boletins e que não houve filas no Estado. O horário de 7h às 16h (horário local) já estava previsto pelo TRE-MS para os dois turnos. Ainda segundo o Correio do Estado, 38 urnas tiveram problemas no Estado, e 13 foram substituídas.

O que disse Lula

Lula discursou em um hotel na região da Avenida Paulista, em São Paulo, onde acompanhou a apuração. Antes, passou a palavra ao vice, Geraldo Alckmin (PSB). Segundo o UOL, o presidente falou em “derrota da mentira e do negacionismo”, agradeceu aos jovens e aos idosos, exaltou a mobilização nas ruas e nas redes e afirmou que vai governar para todos. Ele também repetiu promessas de campanha, como mais investimento no SUS, uma inteligência artificial nacional e a PEC da Segurança Pública, e defendeu regular as plataformas digitais. Sem citar o nome do adversário, voltou a criticá-lo, segundo O Globo.

“Não tenho mais adversários. Tenho que governar para 215 milhões”, disse Lula, segundo O Globo. Sobre a relação com o Congresso, afirmou: “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos, com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso, porque já tem gente falando que o Lula vai ter dificuldade para governar, mas eu não escolho Congresso, foi o povo quem escolheu”, ainda segundo o jornal. Sobre as plataformas digitais, disse: “Não é possível que o crime digital não tenha que ser tratado igual ao crime na vida real”, de acordo com O Globo.

O que disse Flávio

Flávio Bolsonaro falou em Brasília, onde acompanhou a apuração, e disse que não vai reconhecer o resultado, segundo O Globo. Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação em duas horas, e afirmou que vai pedir a anulação da eleição. Segundo o jornal, Flávio não mencionou que a campanha do PL também tinha pedido a extensão do horário em cinco estados (PR, SC, MG, SP e RS). Ainda segundo O Globo, os presidentes do STF, Edson Fachin, do TSE, Nunes Marques, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, reconheceram o resultado.

“O ministro Zanin atropelou a Justiça especializada prorrogando as eleições por duas horas. Houve uma quebra total de isonomia entre brasileiros de diversos estados”, disse Flávio, segundo O Globo. “Nós vamos usar o nosso direito, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou, de acordo com o jornal. Ele acrescentou: “Não vou aceitar que a regra do jogo seja mudada no meio do jogo, mais uma vez pelos amigos do Lula”, ainda segundo O Globo.

Até a manhã desta segunda-feira (26), os veículos consultados não registravam pedido formal de anulação protocolado no TSE por Flávio ou pelo PL. No mesmo discurso, segundo o UOL, ele disse ainda que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE; a Justiça Eleitoral afirmou que a informação é falsa, de acordo com o mesmo site. O presidente do TSE, Nunes Marques, disse que a prorrogação não alterou o processo eleitoral: “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Houve prorrogação na forma em que foi decidida”, segundo o UOL.

Em Mato Grosso do Sul, a prorrogação não chegou a valer. Segundo o g1 MS, as urnas do Estado já tinham sido fechadas às 16h (horário local), com os boletins emitidos, quando a decisão começou a circular. Depois, Zanin esclareceu que a extensão valia só para seções ainda abertas e que os votos das urnas já fechadas seriam totalizados.

Próximos passos

Segundo o calendário eleitoral do TSE, a data-limite para a diplomação dos eleitos é 18 de dezembro de 2026. A diplomação é o ato da Justiça Eleitoral que habilita o eleito a tomar posse.

A posse do presidente e do vice-presidente será em 5 de janeiro de 2027, e não em 1º de janeiro. A mudança foi feita pela Emenda Constitucional 111, de 2021, e vale a partir deste mandato. Os governadores, incluindo Riedel, tomam posse em 6 de janeiro de 2027. O vice de Lula é Geraldo Alckmin (PSB).

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