Mato Grosso do Sul teve sete casos de hantavírus confirmados em 11 anos
De 2015 a 2026, Mato Grosso do Sul registrou 107 casos suspeitos de hantavirose. No entanto, desse total, apenas 7 foram confirmados. Segundo a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a última confirmação no Estado ocorreu em 2019, no município de Campo Grande. Neste período, a Capital confirmou 3 casos da doença.
Outra cidade que aparece na série histórica de hantavirose em Mato Grosso do Sul é Corumbá. Dos sete casos confirmados nos últimos 11 anos, quatro ocorreram na Cidade Branca, todos no ano de 2017.
Vale pontuar que a SES acompanha um caso suspeito da doença em Campo Grande. Após a investigação, se confirmado, este será o primeiro em sete anos.
O que é hantavirose?
Embora o debate sobre o assunto esteja em alta, a hantavirose não é uma novidade no Brasil. O primeiro caso foi confirmado em 1993, no interior de São Paulo. Desde então, a doença passou a ser monitorada pelo Ministério da Saúde, com registros em diversas regiões do país, principalmente o Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A hantavirose é uma doença transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas provenientes de urina, fezes e saliva de pequenos roedores silvestres infectados. Marsupiais (mamíferos como gambás e cuícas) e morcegos infectados também podem estar associados, mas são casos menos comuns.
E é por isso que, em sua maioria, os pacientes têm relação com trabalhos relacionados às áreas rurais.
Há possibilidade de pandemia?
Segundo o médico infectologista Júlio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), não existe risco de ocorrer uma pandemia associada ao hantavírus. Isso porque a variante responsável por infectar os passageiros do navio que partiu da Argentina é o hantavírus andino, que costuma circular na fronteira da Argentina com o Chile.
Apesar de a variante estar associada à transmissão da doença de pessoa para pessoa, o infectologista afirma que a transmissão entre seres humanos não chega a ser tão eficiente quanto um vírus respiratório. “Não existe nenhum risco de nova pandemia associada à hantavirose, porque não existe essa transmissão de pessoa para pessoa. O que a gente está falando é de um surto isolado de um barco”, destaca.
Além disso, não há registros do hantavírus andino do Brasil. “As variantes que nós temos no Brasil de hantavirose não têm nenhum relato de transmissão humano-humano. A maioria das transmissões ocorre através da exposição ao excremento de ratos silvestres.”
Principais sintomas da doença
Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), os sintomas iniciais não são específicos, mas podem incluir febre, dores musculares, dor na região dorsolombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Esse primeiro período pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a duas semanas antes de apresentar melhora temporária.
Outro sinal de alerta envolve o aparecimento de tosse seca, sintoma que pode indicar a evolução para uma forma mais grave da doença. Nesses casos, pode haver comprometimento cardiopulmonar, ocorrendo aumento da frequência cardíaca, dificuldade para respirar e redução da oxigenação no sangue.
O quadro pode evoluir rapidamente para acúmulo de líquido nos pulmões, queda de pressão arterial e comprometimento da circulação, exigindo atendimento médico imediato.
Em alguns casos, o paciente pode apresentar comprometimento renal, geralmente leve ou moderado. Essa é a fase com maior risco de óbitos, por conta da rápida evolução e da gravidade das complicações.
Como prevenir?
Seguindo os manuais e as diretrizes do Ministério da Saúde, é importante que a população evite o acúmulo de lixo, entulhos, restos de alimentos e materiais que possam servir de abrigo e alimento para os roedores. Manter alimentos, rações e grãos armazenados em recipientes fechados e à prova de roedores também é fundamental.
Além disso, recomenda-se a limpeza de ambientes fechados e possivelmente contaminados somente após a ventilação mínima de 30 minutos. É importante evitar varrer locais com sinais de roedores secos, para que nenhum pó seja inalado, mas utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito durante a limpeza. Recomenda-se utilizar equipamentos de proteção individual, luvas, avental e óculos de proteção em situações de risco ocupacional ou durante investigações ambientais.
Notícias Destaque
Assine nossa newsletter
Fique por dentro das últimas notícias, só preencher abaixo.

