MS avança em qualidade de vida, mas desigualdade entre municípios é desafio

20 de maio de 2026
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Mato Grosso do Sul consolidou posição entre os estados com melhor qualidade de vida do país no Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). Com média de 64,14 pontos, o estado alcançou a 7ª colocação nacional e superou a média brasileira, fixada em 63,40. Apesar do desempenho positivo nos indicadores gerais, o levantamento evidencia um cenário marcado por fortes desigualdades internas, sobretudo entre os grandes centros urbanos e municípios do interior.

O governador Eduardo Riedel afirmou que o avanço de Mato Grosso do Sul está diretamente ligado ao fortalecimento de políticas públicas consideradas essenciais para a população, sobretudo nas áreas de infraestrutura, educação, saúde e geração de oportunidades. Segundo ele, o desafio do Estado é fazer com que esse desenvolvimento alcance de maneira mais equilibrada todos os municípios sul-mato-grossenses.

“Nós evoluímos expressivamente em áreas que podem parecer básicas e simples, mas que fazem muita diferença na vida das pessoas. Estamos falando de saneamento básico, da rua asfaltada em frente à casa, de moradia para quem não tem, de acesso a uma escola de qualidade e de uma saúde pública que atenda toda a população com dignidade e eficiência. Esse é o essencial da política pública. Se conseguirmos ampliar isso para toda a população em níveis muito superiores aos que temos hoje, Mato Grosso do Sul dará um salto importante para o futuro. E vamos continuar trabalhando neste sentido”, afirmou.

Riedel também destacou que a redução das desigualdades regionais passa não apenas pela manutenção de programas sociais, mas principalmente pela inclusão produtiva da população, com geração de empregos, qualificação profissional e atração de investimentos privados.

“A transferência de renda é importante e continuará existindo, mas o verdadeiro crescimento sem deixar ninguém para trás acontece quando as pessoas têm oportunidade de emprego, renda e inserção no sistema produtivo. Nosso foco é criar condições para que o desenvolvimento econômico chegue acompanhado de inclusão social”, disse o governador.

Segundo ele, a estratégia do Estado está baseada em uma gestão voltada para planejamento, transparência e diálogo permanente com a sociedade, buscando ampliar o acesso da população aos serviços públicos e às oportunidades de crescimento econômico.

A pesquisa

O IPS Brasil avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Entre os critérios considerados estão acesso à saúde, educação, saneamento, segurança, moradia, inclusão social e garantia de direitos individuais. Diferentemente de indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB), o índice busca medir diretamente a qualidade de vida da população e a efetividade dos serviços públicos.

Campo Grande liderou o desempenho estadual e se destacou também no cenário nacional. A capital sul-mato-grossense atingiu 69,77 pontos, ocupando a 41ª posição entre todos os municípios brasileiros analisados. Entre as capitais, ficou em 4º lugar no país, atrás apenas de Curitiba, Brasília e São Paulo.

O principal diferencial de Campo Grande aparece na dimensão “Oportunidades”, que reúne indicadores relacionados à inclusão social, acesso ao ensino superior e garantia de direitos individuais. Segundo o levantamento, a capital também apresentou desempenho equilibrado nas áreas de Necessidades Humanas Básicas e Fundamentos do Bem-Estar, demonstrando resultados consistentes em diferentes aspectos da qualidade de vida urbana.

Além da capital, cidades do interior também figuraram entre os melhores desempenhos do estado. Municípios como Glória de Dourados, Dourados e Três Lagoas apresentaram índices elevados no ranking estadual, impulsionados por avanços em áreas ligadas à infraestrutura urbana, acesso a serviços públicos e indicadores sociais.

O cenário, porém, muda drasticamente em regiões mais afastadas dos grandes centros. O relatório aponta que municípios menores concentram os piores indicadores sociais do estado, especialmente em educação, acesso a serviços públicos e inclusão social.

Japorã, localizado no sul de Mato Grosso do Sul, aparece entre os casos mais críticos do país. O município recebeu apenas 46,23 pontos e passou a integrar o grupo das 20 cidades brasileiras com pior qualidade de vida segundo o IPS Brasil 2026.

Outros municípios sul-mato-grossenses também registraram desempenho abaixo da média estadual. Coronel Sapucaia obteve 50,52 pontos, enquanto Tacuru alcançou 50,59. De acordo com o relatório, as cidades com menores notas enfrentam dificuldades principalmente nos indicadores ligados a bem-estar, acesso a direitos básicos e oportunidades sociais.

Os dados reforçam a persistência de desigualdades regionais dentro do estado. Enquanto municípios mais estruturados apresentam resultados comparáveis aos de grandes centros urbanos do país, parte do interior ainda convive com limitações históricas relacionadas à oferta de serviços essenciais e à inclusão social.

A coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, destacou que os desafios sociais persistem mesmo entre as cidades mais bem colocadas do ranking. Segundo ela, problemas ligados à inclusão social continuam sendo um ponto crítico nas capitais brasileiras.

“Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”, afirmou.

O estudo reforça que o avanço nos indicadores médios não elimina a existência de bolsões de vulnerabilidade social dentro dos estados. Em Mato Grosso do Sul, o contraste entre Campo Grande e municípios como Japorã evidencia que os ganhos em qualidade de vida ainda são distribuídos de forma desigual, especialmente em regiões mais periféricas e afastadas dos polos econômicos.

Confira as 10 cidades mais bem colocadas de Mato Grosso do Sul:

Campo Grande — 69,77 pontos

Glória de Dourados — 66,46 pontos

Dourados — 65,89 pontos

Três Lagoas — 65,47 pontos

Bataguassu — 65,13 pontos

Jateí — 64,68 pontos

Chapadão do Sul — 64,50 pontos

Naviraí — 64,42 pontos

Angélica — 64,02 pontos

Nova Andradina — 63,87 pontos

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