MS garante R$ 1 bilhão para rodovias com aval federal e aposta em novo modelo de gestão
O Governo de Mato Grosso do Sul assegurou um pacote de R$ 1 bilhão destinado à reestruturação da malha rodoviária estadual, formalizado em ato conjunto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Eduardo Riedel (PP). A assinatura ocorreu ontem (14), em Brasília, com a presença de parlamentares sul-mato-grossenses e articulação direta do deputado federal Vander Loubet (PT).
O financiamento integra o programa Rodar MS e tem origem em operação de crédito firmada com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), no valor de US$ 200 milhões, complementada por contrapartida federal de US$ 50 milhões. A contratação foi concluída em 10 de abril, consolidando uma das principais iniciativas de infraestrutura rodoviária do Estado.
A proposta estabelece uma inflexão no modelo tradicional de obras públicas. Em vez de contratos fragmentados e pontuais, o programa adota concessões com foco em desempenho. Nesse formato, as empresas vencedoras das licitações assumem não apenas a pavimentação, mas também a manutenção contínua das rodovias, com metas de conservação preventiva e qualidade operacional.
O escopo prevê intervenções em cerca de 800 quilômetros de estradas estaduais, distribuídas por municípios como Naviraí, Nova Andradina, Iguatemi, Paranaíba e Três Lagoas. Entre as rodovias contempladas estão trechos das MS-141, MS-145, MS-290, MS-395 e MS-480. Desse total, aproximadamente 590 quilômetros serão objeto de obras e manutenção direta nas regionais de Naviraí e Nova Andradina, enquanto outros 210 quilômetros serão estruturados via parcerias público-privadas nas rodovias MS-377 e MS-240, com contratos de até 30 anos.
Além da requalificação física da infraestrutura, o programa incorpora diretrizes de resiliência climática, com impacto direto em áreas sensíveis como o Pantanal e a Bacia do Taquari. A estratégia também inclui ações voltadas à segurança viária, melhoria da mobilidade e estímulo à descarbonização do transporte, alinhando-se a agendas contemporâneas de sustentabilidade.
Outro eixo estruturante é a adoção de contratos baseados em desempenho, inspirados no modelo CREMA (Contratos de Restauração e Manutenção por Desempenho), tradicionalmente utilizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A expectativa é garantir manutenção, sinalização e operação das rodovias por até dez anos, elevando a previsibilidade e reduzindo custos de longo prazo.
Eduardo Riedel afirmou que a União foi fundamental, não apenas na autorização e no aval, mas também no auxílio à construção do projeto. “Quero ratificar a importância desse recurso que está sendo liberado, junto com a nossa contrapartida, de R$ 1,2 bilhão, praticamente, que restaura 730 km de rodovias no estado, numa modalidade chamada Crema, em que se faz uma PPP e, durante 10 anos, a empresa que ganhar será obrigada a manter esses 730 km”, disse.
O governador também apontou outras parcerias entre o Governo Federal com o estado. “Fizemos uma COP juntos, a COP 15, com a ministra Marina Silva, que foi um sucesso absoluto. Fizemos uma concessão de 870 km de rodovia, sendo a metade dela rodovia federal, que o senhor delegou para o estado, e nós fizemos um projeto; a outra metade, estadual, é uma concessão que vai investir R$ 10 bilhões no estado nos próximos anos. São projetos estruturantes, grandes. Essa ação administrativa entre a União e o estado deixa um legado para Mato Grosso do Sul”, lembrou Eduardo Riedel.
No plano político, a formalização do investimento evidenciou um raro alinhamento institucional entre diferentes espectros partidários. Vander Loubet destacou o que classificou como “maturidade política” do Estado, ao enfatizar a cooperação entre o governo federal e a administração estadual, mesmo diante de divergências eleitorais. O parlamentar ressaltou que a parceria não elimina a disputa política, mas demonstra capacidade de convergência em pautas estruturantes.
O presidente Lula reforçou esse discurso ao sugerir que a relação entre União e Mato Grosso do Sul pode servir de referência nacional, defendendo uma prática política menos polarizada e mais orientada por interesses públicos.
Sob a ótica econômica, o investimento deve beneficiar diretamente setores estratégicos, com destaque para o agronegócio, principal motor da economia estadual. A melhoria das rodovias tende a reduzir custos logísticos, ampliar a segurança no transporte e fomentar a geração de empregos.
Apesar da assinatura, o processo ainda depende de validação legislativa. O Senado Federal deve analisar a operação de crédito em plenário, com votação prevista para esta quarta-feira (16h). O prazo para aprovação se encerra no próximo domingo (20); caso não haja deliberação, o Estado corre o risco de perder o acesso ao financiamento.
Nesse contexto, o Rodar MS se consolida não apenas como um programa de infraestrutura, mas como um teste de eficiência administrativa e coordenação política, em um cenário em que a execução e a governança serão determinantes para transformar promessa em resultado concreto.
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