Cultura

MS perde escritora e um dos ícones da cultura do Estado para a covid-19

Foto: Reprodução

Faleceu no último domingo (23), por complicações decorrentes da Covid-19, aos 84 anos, Lélia Rita Euterpe de Figueiredo Ribeiro, um nome importante para o Estado de Mato Grosso do Sul, no aspecto cultural e literário. Ela ocupava a cadeira de número 27 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

A ASL, emitiu nota de pesar, onde destacou a importância de Lélia Rita na sua atuação em diversas áreas culturais e artísticas de Mato Grosso do Sul, tendo realizado alguns dos primeiros programas e projetos de Levantamento do Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de MS. Lélia Rita tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em 1986.

Paulo Coelho Machado se referiu a ela em um de seus livros: “A poesia de Lélia Rita vem repassada do espírito de sua época e traduz muito docemente a aflição maior do povo de sua terra natal – o sul de Mato Grosso -. A propositada e encantadora maneira de praticar a cisão do Estado, sem provocar derriças”,

O jornalista João Carlos Silva também comentou a morte de Lélia Rita Euterpe de Figueiredo Ribeiro, filha do ex-prefeito e ex-governador do estado de Mato Grosso (uno) Dr. Arnaldo Estêvão de Figueiredo. Ele salientou que a acadêmica da ASL escreveu o livro “O homem e a Terra”, onde relatou andanças do pai pelo Estado, demarcando terras que viraram amplas cidades anos mais tarde.
” Lélia Rita Euterpe de Figueiredo Ribeiro representou a cultura do nosso Estado com ampla singularidade. Criou a Casa da Memória Arnaldo Estêvão de Figueiredo, localizada na Avenida Calógeras, esquina com Rua Barão do Rio Branco, onde a história e a cultura caminhavam juntas. Escritora e amante das artes, tem lugar destacado na história do Mato Grosso do Sul como uma das mais influentes personalidades “, comentou João Carlos Silva.

Grutas de Bonito

A cidade de Bonito também tem sua recordação de Lélia Rita, quando ela intercedeu para a compra das duas grutas pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, as quais ficaram sob a responsabilidade da Empresa de Turismo de Mato Grosso do Sul – MSTUR. Naquela época, não havia definição da propriedade de cavidades naturais subterrâneas, as quais, atualmente, são consideradas pertencentes à União, pela Constituição Federal.

Dada à sua preocupação pelas grutas, Lélia Rita, como Diretora do Departamento de Cultura de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Desenvolvimento Social, providenciou o primeiro mapa da Gruta do Lago Azul. Imaginem a surpresa do topógrafo contratado para isso, ao chegar na gruta com seu teodolito. Aí coube a ele, Elcínio Silveira Cavalheiro, posicionar seu tripé em proeminência na entrada da gruta e fazer visadas até o seu interior.

Ainda em 1982, Lélia Rita apresentou ao IPHAN o projeto Preservação e Adequado Manejo Turístico das Grutas de Bonito”. O projeto proposto por ela foi aprovado pelo IPHAN em 1984 e coordenado pelo arquiteto Clayton Ferreira Lino, o qual, juntamente com equipe técnica multi e interdisciplinar, desenvolveu levantamentos topográficos mais detalhados das grutas e apresentou as diretrizes para um plano de manejo turístico da região (Projeto Grutas de Bonito – 1984), o que, de uma certa forma, lançou as bases para o desenvolvimento do turismo em Bonito e preservação de suas cavernas.

Livros publicados:

• Amor em todos os Quadrantes – Poesia – Edição da Autora (1977);
• O Amor, Centro da Vida – Ensaio (1978)
• Estação Provisória – Poesia – Edição Masao Ohno (1983);
• Cantos Gritos & Tombos, em parceria com sua filha Dora Ribeiro – Edição da Autora (1986);
• Ensaio para a 20ª Bienal de SP – Ensaio (1986)
• A Crítica e o Artista – Ensaio (1987)
• O Homem e a Terra – Editora do Senado Federal – Síntese da História de Mato Grosso do Sul (1996)
• O Voto Distrital Misto como Aperfeiçoamento de Representatividade Democrática – Ensaio – 1991
• Cantando a Terra Mato-grossense, publicado pela Revista do Instituto Histórico de Mato Grosso (1998).
• É autora da Criação poética projeto e produção da Cantata
• Cênica “Peabiru – A Conquista do Novo Mundo,” (2000), com patrocínio da Petrobrás, Eletrobrás e Governo de MS.

Histórico

Lélia Rita Euterpe de Figueiredo Ribeiro, nascida em Campo Grande em 22 de novembro de 1935, presidiu a Associação de Artistas Plásticos, como fotógrafa, tendo idealizado e executado programa de Expedição Cultural/ Artística, itinerando por várias cidades e estados do país e aldeias indígenas, integrando os mais diversos setores de vida cultural e artística, para revelar e difundir o Mato Grosso do Sul e sua bela natureza.

Foi também Diretora do Departamento de Cultura de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social

Criou, fundou e dirigiu de 1996 a 2006 a Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, que destinou-se a resgatar, difundir e desenvolver a memória, o ambiente e o turismo de MS. Um dos principais programas da Casa da Memória foi o de resgate e difusão, em parceria com o Projeto Resgate Barão do Rio Branco/Ministério da Cultura (1996/2000), de Documentos Históricos de MS, dentre os quais destaca-se o dos 2221 Documentos Históricos Coloniais da Capitania de Matto Grosso depositados no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa.

Conforme consta no Portal movimento.com, a obra vocal Peabiru, composta pelo professor João Ripper, é detentora do primeiro prêmio no 1º Concurso de Composição da Cidade do Rio de Janeiro – Rio Arte – e do 3º prêmio no segundo concurso da mesma entidade. Com texto da poeta Lélia Rita Figueiredo Ribeiro, a obra retrata os 500 anos do Descobrimento do Brasil e os 250 anos da Capitania de Mato Grosso)

Fonte: Portal de Educativa

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