Mulheres relatam abusos e comentam nova prioridade nos ônibus de Campo Grande
Casos de assédio no transporte público de Campo Grande não são incomuns, infelizmente. Por se tratar de um crime muitas vezes silencioso, a denúncia acaba se tornando mais difícil. Esse tipo de violência ocorre com mais frequência do que se imagina e impede que muitas mulheres utilizem o transporte coletivo com segurança.
Considerando este cenário, a Prefeitura de Campo Grande sancionou, nesta segunda-feira (25), uma lei que estabelece a utilização preferencial, por mulheres, dos assentos localizados ao lado das janelas nos ônibus do transporte coletivo urbano. A medida foi publicada no Diogrande e passa a valer para todos os veículos que integram o sistema municipal.
O objetivo da nova determinação é oferecer mais proteção às passageiras durante os deslocamentos diários, reduzindo situações de constrangimento, assédio e contatos físicos indesejados, especialmente nos horários de maior lotação nos ônibus.
Apesar da prioridade, a legislação deixa claro que os assentos não serão de uso exclusivo das mulheres. Assim, os lugares poderão ser ocupados por outros passageiros quando não houver mulheres os utilizando.
O Midiamax foi às ruas da cidade para saber o que pensam as mulheres campo-grandenses sobre a nova lei. Embora a nova determinação tenha gerado surpresa para a grande maioria, todas vibraram e concordaram que este é um começo para garantir a segurança de mulheres no transporte público.

Concordância é unânime
É o caso da jovem Aniely Maria, de 19 anos. Ela conta que, felizmente, nunca sofreu importunação dentro dos ônibus. No entanto, conhece muitas mulheres que não tiveram a mesma sorte. Embora a lei não seja o suficiente para garantir a segurança em sua totalidade, ela espera que este seja o primeiro passo para mulheres terem seus direitos respeitados ao saírem de casa.
“Os números de assédio nos ônibus são altos. Nunca sofri [assédio], mas familiares e amigas já, então acho que pode ajudar, mesmo que não seja obrigatório. Agora é esperar que nossos homens respeitem. Acredito que alguns respeitarão, mas sempre haverá os mal-intencionados e, se a intenção dele for essa [assediar], ele vai conseguir o que quer”, afirma.
Aniely acredita que aumentar a fiscalização e o monitoramento do transporte pode colaborar para o aumento da segurança, especialmente das mulheres que sempre pegam ônibus lotados ou tarde da noite.
Maria Rosa Rodrigues de Oliveira Dias, de 24 anos, também concorda com a aplicação da lei. Embora não utilize transporte público com frequência, a jovem espera que a medida seja assertiva na garantia de segurança das passageiras, evitando que a mulher fique em pé, mais vulnerável a toques indesejáveis.
“Eu concordo com isso, porque nos ônibus hoje em dia tem muito assédio, né? E, outra, por segurança da mulher mesmo. Para ela se sentir mais segura, por estar no canto dela, sem a necessidade de sempre ficar em pé, [em contato com muita gente e mais vulnerável] ao assédio masculino que tem nos ônibus com frequência hoje em dia.”
Mikaelly Martinez da Silva, de 18 anos, também achou a lei importante. Ela pontua que essa determinação evitará que mulheres fiquem vulneráveis nos bancos dos corredores, onde qualquer assediador pode encostar nelas.
“Eu concordo, porque muitos homens, quando passam pelo corredor, passam já se esfregando, esteja o busão cheio ou não. E eu concordo plenamente que é bem melhor. Acho que alguns serão mais ‘chucros’ e não vão gostar da lei, mas, para as mulheres, é ótima. Ainda mais pelo vento que entra na janela, é bem melhor.”
Francisca Jane Gomes, de 53 anos, ficou contente ao saber da lei sancionada. Ela acredita, sim, que a mudança proposta na distribuição de passageiros permitirá mais conforto e tranquilidade para as passageiras.
“Com certeza [dará mais segurança], porque às vezes a gente está sentada e o cidadão que está ao nosso lado, quase sempre, é mal-intencionado”, conclui.
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