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No Julho das Pretas, Câmara discute o impacto do racismo estrutural na saúde da mulher negra e quilombola

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) em parceria com a deputada estadual Gleice Jane (PT), a deputada federal Camila Jara (PT) e a Coletiva Sempre Vivas realizaram na tarde desta quinta-feira (13), na Câmara Municipal de Campo Grande, o seminário “O impacto do racismo estrutural na saúde da mulher negra e quilombola”.

O encontro promoveu uma discussão sobre as implicações do racismo estrutural na saúde das mulheres negras e quilombolas, com a participação de pesquisadoras, especialistas em diversas áreas e militantes dos movimentos negros e quilombolas para explorar os desafios enfrentados por essas comunidades e apontar soluções para a promoção da equidade e igualdade na saúde.

“Essa articulação tem um valor especial, as mulheres se movimentam junto aos mandados feministas. O tema de hoje, recorrente ao mês das pretas, mas também para tratar e provocar discussões a respeito dos impactos do racismo dentro desse viés, a saúde das mulheres. É inédito em Campo Grande este evento, dessa qualidade, com um tema tão preciso e forte. Devemos nos atentar para o racismo estrutural que permeia nossa sociedade e entender como isso pode ser rompido. Nós precisamos ouvir e entender essas mulheres para entender o problema que atinge elas e sua saúde e como podemos promover políticas públicas para romper essa situação”, destacou a vereadora Luiza Ribeiro.

A Deputada Estadual Gleice Jane, destacou o compromisso de estar fazendo essas discussões. “Nós estamos numa parceria entre o legislativo municipal, estadual e federal, discutindo a vida das mulheres. Muitas mulheres relatam que dentre os seus problemas está a opressão, a violência, e a partir desse debate ouvindo essas mulheres para pensar políticas necessárias para fazer um enfrentamento ao racismo, ao preconceito, ao machismo e queremos garantir a todas as mulheres uma boa qualidade de vida”, disse.

Além da troca de experiências e histórias reais, o evento abordou uma variedade de tópicos, como disparidades de saúde, obstáculos no acesso a cuidados médicos, saúde mental, saúde materno-infantil e os efeitos do racismo na qualidade de vida das mulheres negras e quilombolas.

De acordo com o estudo “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, realizado pela Fundação Perseu Abramo em 2010, uma em cada quatro mulheres no Brasil sofrem violência obstétrica, sendo 65,9% mulheres negras

A doutora em psicologia e professora da UFMS, Thaize de Souza Reis, ressaltou que 80% da população que só tem o SUS como plano de saúde é negra. “Precisamos pensar o SUS como uma luta e uma construção da população negra. Mas também é preciso pensar o quanto o racismo contribui para o sucateamento dessa estrutura”, disse.

Segundo a pesquisadora da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e professora da UFMS, Eugênia Portela Marques, o racismo estrutural está institucionalizado e legitimado pelo pacto da branquitude. “Nós mulheres negras e quilombolas estamos do outro lado da moeda. De um lado está o pacto da branquitude, está o poder e do outro lado estamos nós. É difícil pensar que no câmpus de Campo Grande da UFMS somos só eu e Thaize, docentes declaradas mulheres negras”, afirma.

De acordo com a membro da coletiva, Cleusa Pedrosa, o evento foi importante para debater a saúde da mulher negra e quilombola e como romper o racismo estrutural. “É um avanço estarmos aqui, dentro de um sistema estruturante racista, classista e sistêmico. O racismo nos adoece e inibe a nossa voz. É muito importante sensibilizarmos esses espaços, os profissionais, para que se abra essa discussão e essa conversa”, ressaltou.

Ao final do debate foram anotadas onze propostas de políticas públicas para a saúde das mulheres negras e quilombolas. E já foi sinalizada a realização de um próximo encontro na periferia da capital, neste segundo semestre.

Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande.

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