Rodovias federais de MS registram ao menos 96 mortes em 2026: BR-163 concentra acidentes graves
As rodovias federais que cruzam Mato Grosso do Sul registraram, entre 1º de janeiro e 15 de agosto deste ano, pelo menos 96 mortes em acidentes de trânsito, conforme dados preliminares da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O total já ultrapassa o contabilizado no mesmo intervalo de 2025, quando 90 pessoas perderam a vida. Em todo o ano de 2024, foram registradas 104 mortes.
No mesmo período, aproximadamente 1.034 acidentes foram contabilizados nas rodovias federais sul-mato-grossenses. O levantamento evidencia a manutenção de um cenário de elevada violência no trânsito, agravado por uma sequência de ocorrências de grande impacto registradas nas últimas semanas.
Acidente com explosão deixa quatro mortos na BR-163
A ocorrência mais recente aconteceu no domingo (16), na BR-163, em Bandeirantes. O acidente envolveu cinco veículos, provocou uma explosão de grandes proporções, deixou quatro pessoas mortas e outras seis feridas.
Até o momento, apenas uma das vítimas fatais foi identificada: Valderlânio Daniel Santos, de 49 anos. Segundo as investigações iniciais, ele conduzia um Chevrolet Onix que invadiu a pista contrária, dando início à sequência de colisões.
Imagens registradas por câmeras mostram o automóvel trafegando normalmente antes de cruzar para a faixa oposta. O carro atingiu uma carreta carregada com couro, que perdeu o controle, saiu da pista e colidiu contra uma carreta-tanque transportando combustível no sentido contrário. A força do impacto provocou uma explosão seguida de incêndio.
As equipes de emergência controlaram as chamas, mas a rodovia permaneceu interditada por mais de dez horas. O congestionamento chegou a aproximadamente 20 quilômetros, e o tráfego só foi totalmente liberado por volta das 23h40 de domingo.
BR-163 permanece entre as rodovias mais letais
Principal corredor rodoviário de Mato Grosso do Sul, a BR-163 continua figurando entre as estradas com maior número de mortes no Estado. Até julho deste ano, a rodovia já havia registrado 30 óbitos.
Com cerca de 847 quilômetros de extensão em território sul-mato-grossense, a BR-163 foi concedida à iniciativa privada em 2014 sob a previsão de duplicação integral em cinco anos. Entretanto, apenas cerca de 150 quilômetros receberam pista dupla durante a vigência do contrato administrado pela CCR MSVia.
Novo contrato prevê melhorias graduais
O novo contrato de concessão, atualmente administrado pela Motiva Pantanal, não prevê a duplicação integral da rodovia. Segundo o cronograma aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a implantação de faixas adicionais no trecho entre os quilômetros 563,9 e 570,8, no sentido norte, e entre os quilômetros 570,2 e 571,6, no sentido sul – região onde ocorreu o acidente em Bandeirantes – está prevista apenas para o sétimo ano da concessão, em 2032.
A concessionária informou que o cronograma integra o plano de otimização contratual aprovado em 2025 e faz parte de um pacote de investimentos estimado em R$ 9,3 bilhões destinados à modernização e ampliação da capacidade da rodovia.
O novo contrato prevê ainda a duplicação de outros 203 quilômetros. Somados aos trechos já duplicados, aproximadamente 353 quilômetros da BR-163 passarão a contar com pista dupla, o equivalente a cerca de 42% da extensão da rodovia em Mato Grosso do Sul. Isso significa que aproximadamente 60% do trajeto permanecerá em pista simples.
A região onde ocorreu o acidente fatal também não deverá receber intervenções estruturais de curto prazo, apesar do reajuste de 41% nas tarifas de pedágio aplicado no início deste mês.
Embora as causas do acidente ainda sejam investigadas, especialistas apontam que pistas simples apresentam maior risco em situações de ultrapassagem, fator frequentemente associado à gravidade de colisões frontais.
Rodovias estaduais também registram alta mortalidade
O cenário de acidentes graves não se restringe à malha federal. Nas rodovias estaduais administradas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, o Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) contabilizou 372 sinistros entre janeiro e julho deste ano, com pelo menos 65 mortes.
O balanço, contudo, ainda não inclui um dos acidentes mais graves registrados recentemente no Estado, ocorrido na noite de sexta-feira (14), na MS-295, entre Iguatemi e Japorã, que resultou na morte de sete pessoas.
Líder indígena e família estão entre as vítimas da MS-295
Entre os mortos estava o líder indígena Guarani Tiago Honorio dos Santos, conhecido como Tiago Karai, de 34 anos, uma das principais lideranças indígenas do estado de São Paulo.
Também morreram a esposa, Laudiceia Benites, de 31 anos; os filhos Luna Benites Santos, de 7 anos, e Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14 anos; a irmã de Tiago, Cleonice Honorio dos Santos, de 42 anos; além de Ileo Benites, de 30 anos, e Genilson Euzébio Karay Mirim, de 32 anos.
Todas as vítimas eram moradoras da aldeia Kalipety, localizada na Terra Indígena Tenondé Porã, no distrito de Parelheiros, na capital paulista.
De acordo com as informações apuradas, o veículo em que o grupo viajava foi atingido por um semirreboque que se desprendeu de um caminhão. Após a colisão, o automóvel ficou preso à estrutura metálica, enquanto o semirreboque tombou e incendiou-se, provocando a morte dos sete ocupantes.
Motorista responde em liberdade
O motorista do caminhão foi ouvido pela polícia e liberado. Em depoimento, afirmou que não percebeu o momento em que o semirreboque se desprendeu do veículo.
Segundo seu relato, ao retornar ao local encontrou o acidente, mas desconhecia a existência de vítimas fatais. O condutor afirmou ainda que deixou a região após ser ameaçado por pessoas que estavam no local e que somente tomou conhecimento das mortes na manhã seguinte.
O caminhão deverá passar por perícia para auxiliar na investigação das circunstâncias do acidente. Até o momento, o motorista responde ao caso em liberdade.
Indicadores reforçam preocupação com a segurança viária
Os números registrados nas rodovias federais e estaduais revelam um cenário persistente de elevada letalidade nas estradas de Mato Grosso do Sul. O aumento do número de mortes nas rodovias federais em relação ao mesmo período do ano anterior, aliado à sucessão de acidentes de grande impacto registrados nas últimas semanas, reforça os desafios relacionados à fiscalização, às condições da infraestrutura rodoviária e à prevenção de sinistros de trânsito, especialmente em trechos de pista simples com intenso fluxo de veículos de carga.
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