Santa Casa alerta para colapso no abastecimento: estoque de insumos críticos duram mais duas semanas
A Santa Casa de Campo Grande voltou a tornar pública a gravidade da crise que enfrenta e advertiu para o risco de comprometimento da assistência prestada em procedimentos de média e alta complexidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a diretora técnica da instituição, Patrícia Berg Leal, informou que o hospital enfrenta dificuldades crescentes para adquirir medicamentos, insumos e materiais cirúrgicos considerados indispensáveis ao atendimento, cenário que ameaça a continuidade de serviços essenciais nas próximas semanas.
De acordo com a médica, os estoques de órteses, próteses e materiais especiais — itens fundamentais para cirurgias de alta complexidade — são suficientes para manter os procedimentos por, no máximo, uma ou duas semanas. A limitação atinge principalmente especialidades como ortopedia, neurocirurgia, cirurgia vascular e cirurgia cardíaca, áreas que dependem desses insumos para a realização de intervenções de maior complexidade.
Embora o abastecimento esteja sob pressão, Patrícia Berg Leal afirmou que os atendimentos seguem sendo realizados com base em critérios técnicos e assistenciais rigorosos, tendo a segurança dos pacientes como prioridade. Segundo ela, um comitê de crise, em conjunto com as diretorias da instituição, trabalha para reduzir os impactos provocados pela escassez de medicamentos e materiais. Ainda assim, reconheceu que não há como assegurar por quanto tempo será possível manter o atual ritmo de atendimento.
A incerteza levou a direção do hospital a fazer um apelo incomum à população. A recomendação é para que motoristas, trabalhadores e demais cidadãos reforcem os cuidados no trânsito e durante atividades que envolvam risco de acidentes, numa tentativa de reduzir a demanda por cirurgias de urgência e de alta complexidade em um momento de restrição no abastecimento.
“Nós não sabemos por quanto tempo conseguiremos manter o estoque desses materiais e medicamentos e, consequentemente, atender a população no tempo necessário”, afirmou a diretora técnica.
Os dados apresentados pela própria Santa Casa indicam a dimensão do impacto que uma eventual redução da capacidade operacional da instituição poderia provocar na rede pública de saúde. Relatório gerencial elaborado com base em informações do DataSUS mostra que o hospital respondeu por 30,98% de toda a produção hospitalar de média e alta complexidade registrada entre janeiro e maio de 2026. O percentual representa participação quase três vezes superior à do Hospital Regional, segundo maior prestador no período, responsável por 10,73% da produção.
A concentração é ainda mais expressiva quando considerados exclusivamente os procedimentos de alta complexidade financiados pelos componentes MAC e FAEC. Nesse recorte, a Santa Casa realizou 53,36% de toda a produção estadual entre janeiro e maio deste ano, índice que supera com ampla margem o desempenho das demais unidades hospitalares de Mato Grosso do Sul.
Além da dificuldade imediata para manter o abastecimento, a instituição atribui a crise a um problema estrutural de financiamento. Conforme o relatório gerencial, os recursos recebidos não acompanham o volume de atendimentos realizados, produzindo um déficit histórico que compromete a sustentabilidade financeira do hospital.
A comparação apresentada pela direção evidencia a disparidade entre os repasses destinados às unidades hospitalares. Segundo o documento, a Santa Casa opera com financiamento equivalente a 2,78 Tabelas SUS, enquanto o Hospital Regional recebe recursos correspondentes a 14,24 Tabelas SUS. O Hospital Regional Dr. José de Simone Netto alcança 8,61 Tabelas SUS, e o Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, 20,14.
Ainda de acordo com a instituição, seriam necessárias aproximadamente quatro Tabelas SUS para cobrir os custos operacionais da Santa Casa. Mesmo nesse cenário, sustenta a direção do hospital, o nível de financiamento permaneceria inferior ao destinado a outras unidades hospitalares estaduais.
Notícias Destaque
Assine nossa newsletter
Fique por dentro das últimas notícias, só preencher abaixo.

