‘Serviço de porco’: chefe do tapa-buraco reclamou de asfalto que ele mesmo aprovava

15 de maio de 2026
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Um dos investigados na Operação Buraco sem Fim, Edivaldo Aquino Pereira, ex-chefe do tapa-buraco de , reclamou à Construtora Rial LTDA sobre a qualidade do serviço nas ruas de Campo Grande, classificando-o como “serviço de porco”, segundo as investigações do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Apesar disso, o servidor — exonerado após a prisão — validava as medições e atestava a execução dos serviços da empreiteira. A região do Segredo sofre com buracos, apesar da Rial ter contrato de R$ 23 milhões para manter as vias dos bairros.

O Gecoc afirma que o ex-servidor atestou execução de serviços que “jamais foram prestados ou eram realizados de forma precária pelas empresas AL DOS SANTOS, ENGENEX e CONSTRUTORA RIAL LTDA“.

Um dos diálogos citados pelo relatório diz que Edivaldo teria reclamado com a Rial sobre o serviço, classificando-o como “serviço de porco”. Apesar disso, ele aprovava tudo.

O relatório indica ainda que Edivaldo, supostamente, usava o filho para receber propinas.

A reportagem entrou em contato com o advogado Cauê Dantas, que atua na defesa de Edivaldo. No entanto, o advogado informou que está trabalhando nas medidas cabíveis para seu cliente e ficou de enviar nota posteriormente, sobre essas acusações do Gecoc. O espaço segue aberto.

Mensagens revelam como fraudes eram feitas

A Operação Buraco sem Fim prendeu sete pessoas, entre elas, o engenheiro sócio da Rial, Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, e seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o ‘Peteca’. Além deles, foram presos o ex-secretário de Obras Rudi Fiorese; o ex-chefe do serviço de tapa-buracos Edivaldo Aquino Pereira; o engenheiro da Sisep Mehdi Talayeh; Fernando de Souza Oliveira; e o auxiliar de fiscalização da Sisep Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula.

Conversa entre o engenheiro-chefe responsável por assinar as medições, Mehdi Talayeh, e o auxiliar técnico Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula mostra que a fiscalização da execução da obra era feita às pressas e sem o funcionário responsável pelo registro diário, chamado de “apontador”. Isso, segundo o Gecoc, facilitava a manipulação dos dados para favorecer a empreiteira.

Em um dos trechos destacados pela investigação, Mehdi cobra agilidade do servidor da sua equipe, Erik, em mensagem enviada em janeiro de 2023: “Boa tarde. Precisaremos fechar hoje as medições e passar pro Rômulo pedir nota. Amanhã data limite para descer. Comece pela Rial, ordenou.

Já em fevereiro daquele ano, Mehdi demonstrou preocupação com as medições referentes aos serviços de tapa-buraco executados pela Rial: “A Rial janeiro dará mais ou menos 500 tudo, é isso? Vamos agilizar as medições de janeiro”.

Já em março do mesmo ano, Erik justifica a Mehdi a demora para finalizar as medições da Rial: “A Rial estou fechando. Está demorando porque estou tendo que medir as ruas que fizeram que não tinha apontador, deixando claro que a fiscalização foi realizada sem a presença do servidor que registra detalhes como mão de obra, produção, equipamentos e materiais utilizados no serviço.

A função desse serviço de apontador é essencial para garantir que a obra pública seja feita com base em dados reais do canteiro, evitando pagamentos indevidos e fraudes.

Mais de R$ 147 milhões em contratos

Peça-chave nas fraudes do tapa-buraco, a Construtora Rial LTDA possui R$ 147.621.717,54 em contratos de obras em Campo Grande.

Conforme o Portal da Transparência do município, são oito contratos ativos para obras e serviços, sendo o mais antigo firmado em 2022.

Desse total, cinco são contratos de serviço, que abrangem o tapa-buracos, a manutenção em ruas de terra e também a sinalização por meio de construção de lombadas. O valor total para esses serviços é de R$ 42.050.710,63.

O maior montante refere-se a contratos de obras de recapeamento. A Rial opera, atualmente, em três frentes: região do Anhanduizinho (R$ 52.157.356,45), Imbirussu (R$ 29.783.245,48) e Segredo (R$ 23.630.404,98).

A atuação da empreiteira, segundo os investigadores, segue o mesmo modus operandi do que foi apurado na Operação Cascalhos de Areia, em que cinco dos atuais investigados foram denunciados.

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