Glória Maria

[Artigo] Desapontado, mas não surpreso – Por Glória Maria

A maioria não sabe, até mesmo porque os dados são dificilmente divulgados, mas a água que sai de nossas torneiras pode carregar um coquetel de agrotóxicos. Eles são levados pelas chuvas e pelos rios para as redes de abastecimento de grandes cidades. Os estudos sobre os impactos para a saúde da humanidade são progressivos, já que os agrotóxicos não são barrados por filtros de agua.

Em abril do ano passado ficamos impactados com a investigação da Pública (agência de jornalismo investigativo) com a publicação da notícia “Estamos bebendo veneno”. Na época foram detectados uma mistura de agrotóxicos na água de diversas cidades brasileiras. A investigação aconteceu de 2014 a 2017, onde empresas de abastecimentos de 1396 municípios encontraram 27 tipos de agrotóxicos, sendo que 16 foram classificados pela Anvisa como altamente tóxicos e 11 como causadores de inúmeras doenças.

Entre as capitais investigadas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Florianópolis, Cuiabá e, claro, Campo Grande.

Para evitar que essas substâncias cheguem à nossa água, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou um documento recomendando mudanças para tornar o controle mais rígido. O documento recomenda a adoção de um conjunto de medidas com a finalidade de aumentar a segurança da população exposta, organizadas em três tipos de iniciativa: inclusão de agrotóxicos na lista dos prioritários para avaliação da potabilidade; redefinição do número de ingredientes ativos e das concentrações máximas permitidas por amostra; e ações a serem desenvolvidas em caso de não conformidade e recomendações para as concessionárias.

Infelizmente, a situação não parece que vai melhorar tão cedo. Temos um presidente que, em 100 dias de governo, já havia autorizado o registro de mais de 150 novos tipos de agrotóxicos, muitos deles já banidos na Europa e nos Estados Unidos por serem causadores de alguns tipos de câncer. A atual ministra da agricultura, Tereza Cristina, mais conhecida como “Musa do Veneno”, é apoiadora do chamado “Pacote Veneno”, que confere ao seu Ministério poderes para autorizar a comercialização de agrotóxico.

No Brasil, a agricultura comercial não é plantada para comer, mas sim para ser vendida, diferente da agricultura de subsistência onde o cultivo é feito sem o auxílio de máquinas e com processo de adubagem.

Está cada vez mais difícil enxergar um futuro livre dessa epidemia para o país. No momento nos resta fazer uso de um meme da rede social na qual o presidente usa para “governar o país”, o Twitter: Desapontado, mas não surpreso.

Supervisão: Álvaro Marzochi

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