Campo Grande mapeia 652 km de vias deterioradas após anos de degradação da malha viária

28 de julho de 2026
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A Prefeitura de Campo Grande homologou uma licitação de R$ 37,65 milhões para contratar empresas responsáveis pela recuperação do asfalto em diferentes regiões da cidade. O investimento, no entanto, evidencia a dimensão do problema enfrentado pela Capital: um levantamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) identificou cerca de 652,2 quilômetros de vias que necessitam de intervenções estruturais, revelando o nível de deterioração alcançado pela malha viária urbana.

O processo licitatório havia sido estimado em R$ 42,59 milhões e foi concluído por um valor menor. Ainda assim, o volume de recursos necessário para enfrentar a situação reforça uma questão inevitável: como Campo Grande chegou ao ponto de precisar mapear centenas de quilômetros de ruas e avenidas comprometidas em praticamente todas as regiões da cidade?

O diagnóstico elaborado pela Sisep foi construído a partir de dados do Sistema Municipal de Geoprocessamento, complementados por vistorias técnicas realizadas em campo. Entre os critérios utilizados para selecionar as vias incluídas na licitação estão a recorrência de problemas no pavimento, a importância das ruas e avenidas para o fluxo de veículos e as condições estruturais do asfalto.

Embora o levantamento relacione dezenas de vias distribuídas pelas sete regiões urbanas, a própria prefeitura informa que essa lista não representa, necessariamente, as ruas que receberão obras. O memorial descritivo da licitação classifica a relação como “exemplificativa e estimativa”, esclarecendo que ela serviu apenas como referência para dimensionar os contratos. A definição das vias que efetivamente passarão por intervenções ocorrerá posteriormente, conforme avaliações feitas durante a execução dos serviços.

Na prática, isso significa que, apesar da divulgação de uma extensa relação de ruas e avenidas, ainda não há confirmação sobre quais trechos serão contemplados primeiro.

Na região do Prosa, o levantamento inclui vias como Antônio Rahe, Elias Nachif, Naviraí, Buenos Aires, Carneiro de Campos, Sérgio Porto, Marlene, Arcênia, Santa Bárbara, Clóvis, Cláudia, Cassilândia, das Garças, Frederico Soares, João Akamine, José Gomes Domingues, Manoel Inácio de Souza e Nortelândia.

No Anhanduizinho, aparecem Rua da Doçura, Rua Tenente Gabino Soilet Soares, Rua da Divisão, Avenida Costa Melo, Avenida Anhembi, Rua do Piano, Rua Jornalista Valdir Lago, Avenida Arquiteto Vila Nova Artigas, Rua Jussara, Rua Pirituba e Rua Jatobá, entre outras.

O levantamento também contempla vias da região Central, entre elas Maracaju, Sete de Setembro, Goiás, Alagoas, Paissandu, Uberlândia, Manoel Seco Tomé e Rua das Garças.

No Imbirussu, figuram Rua Três Lagoas, Avenida Manoel Ferreira, Rua Cruzeiro do Sul, Rua Doutor Antônio Leite de Campos, Rua Evaristo de Moraes, Rua Caiuás, Rua Guanabara e Rua Tupinambás.

Já na região da Lagoa, o estudo relaciona Rua da Pátria, Rua Pedro Álvares Cabral, Rua Albert Sabin, Rua Alexandre Fleming, Rua Salim Maluf e Rua Vicente Solari, entre outras. Para essas vias, a previsão contratual contempla a retirada das camadas deterioradas do pavimento, recomposição da pista e aplicação de novo revestimento asfáltico.

Os números apresentados pela própria Sisep demonstram que o problema não está concentrado em um único ponto da cidade. Dos 652,2 quilômetros considerados prioritários para recuperação, a maior extensão está localizada na região da Lagoa, com 112,4 quilômetros. Em seguida aparecem Anhanduizinho, com 105,4 quilômetros; Bandeira, com 104 quilômetros; Prosa, com 103,1 quilômetros; Imbirussu, com 81,7 quilômetros; Centro, com 74,6 quilômetros; e Segredo, com 70,7 quilômetros.

Ao todo, a área que necessita de recuperação corresponde a aproximadamente 5,27 milhões de metros quadrados de pavimento.

A concorrência pública foi dividida em sete lotes e resultou na contratação das empresas Construtora Rial Ltda., RR Barros Serviços e Construções Ltda., Gradual Engenharia e Consultoria Eireli, Relevo Engenharia Ltda., Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia Ltda. e André L. dos Santos Ltda.

Apesar da homologação dos contratos, a execução das obras ainda dependerá da definição de prioridades técnicas e da disponibilidade financeira da administração municipal.

Segundo o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, a mão de obra já está contratada e o fornecimento da massa asfáltica será realizado por meio de um consórcio. Ele afirmou que o cronograma será executado conforme critérios técnicos e de acordo com a capacidade orçamentária do município.

O secretário também anunciou que a prioridade da prefeitura neste segundo semestre será regularizar o serviço de tapa-buracos, considerado pela administração como etapa inicial antes da ampliação do recapeamento. A promessa é estabelecer posteriormente uma rotina permanente de manutenção das vias e ampliar, gradualmente, o recapeamento dos trechos classificados como mais deteriorados durante a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).

Ainda conforme André Brandão, apenas ruas que possuam base estrutural em condições adequadas poderão receber recapeamento. Nos locais onde essa estrutura está comprometida, será necessária uma recuperação emergencial antes da aplicação de nova camada asfáltica. A expectativa anunciada pela prefeitura é concluir esse processo até 2028.

Enquanto o cronograma definitivo permanece condicionado à disponibilidade financeira do município, a administração também promete ampliar as operações de tapa-buracos como resposta imediata às reclamações da população.

Prefeitura promete ampliar tapa-buracos antes das chuvas

Como medida emergencial, a prefeitura anunciou a ampliação das equipes responsáveis pelo tapa-buraco. Atualmente operando com duas frentes de serviço, a administração pretende aumentar esse número para cinco ou seis equipes por meio do credenciamento de novas empresas.

A meta divulgada pela Sisep é elevar em cerca de 50% a capacidade diária de atendimento, passando dos atuais mil a 1,1 mil buracos reparados por dia para aproximadamente 1,5 mil.

Segundo André Brandão, a ampliação das equipes busca regularizar o serviço antes do período chuvoso, previsto para novembro e dezembro. De acordo com o secretário, o credenciamento das novas empresas permitirá ampliar a cobertura das ações já no início de agosto.

As medidas anunciadas, entretanto, têm caráter paliativo diante da dimensão do problema revelado pelo próprio levantamento da prefeitura. O mapeamento de mais de 650 quilômetros de vias que necessitam de recuperação estrutural evidencia que a deterioração da malha viária não resulta de um processo recente, mas de um desgaste acumulado ao longo dos anos, cuja reversão dependerá de investimentos contínuos, planejamento e execução efetiva das obras anunciadas.

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