Com suspeita de venda, vereadores criticam Consórcio Guaicurus: ‘Tem que mudar’
Vereadores de Campo Grande criticam o Consórcio Guaicurus e alegam que é preciso mudar. Rumores sobre uma possível venda da empresa responsável pelo transporte público da Capital ganham força enquanto o processo de intervenção avança na Prefeitura
Esse seria o primeiro passo em um processo de venda. Normalmente, um relatório auditado serve como referência em negociações de empresas, pois contém análise profunda e serve para basear processos de venda.
Fontes de dentro do Consórcio Guaicurus ouvidas pela reportagem confirmaram a especulação sobre o tema entre funcionários. “A conversa que circulou hoje é de que uma empresa vai assumir a operação, que vai trazer 100 veículos usados para substituir os mais críticos”, disse um funcionário, que prefere manter o anonimato.
Em meio ao processo de intervenção, o Consórcio Guaicurus tirou de cena o então diretor Themis Oliveira e colocou João Rezende novamente à frente dos negócios comandados pela família Constantino.
“É complicado falar de Consórcio Guaicurus. É algo que vem se arrastando de outras e outras gestões. Eu acho que tudo isso começou a partir desse contrato, que foi feito com uma insegurança jurídica muito grande. A gente sabe que o Consórcio, não só aqui, mas em todo o Brasil, é a mesma família que domina o transporte público do país. Eu acho que a empresa já deveria ter sido retirada. Eu não sou muito de polêmica, de ficar gritando no microfone, brigando, mas minha opinião é bem clara com relação a isso”, disse o vereador Neto Santos, do Republicanos.
A interessada em assumir o transporte público de Campo Grande seria uma empresa que opera o serviço em Goiás e Brasília. Aliás, uma empresa goiana é quem estaria realizando os trabalhos de auditoria.
Representantes do grupo goiano também já estiveram nos pátios das empresas que formam o Consórcio Guaicurus para avaliação in loco, segundo fontes do Jornal Midiamax.
“Já teve várias ações do Consórcio Guaicurus, todas em benefício próprio, visando colocar a faca no pescoço da Prefeitura. Não só do Executivo municipal, mas também do estadual, visando tirar dinheiro. Então, eu acho que pode ser mais uma manobra do Consórcio, toda [essa] mudança. Colocar uma cortina de fumaça ali para situações excusas deles, ou seja, sempre visando ao lucro, tirando algum proveito junto ao Executivo municipal e estadual”, afirmou o vereador Beto Avelar (PP).
“Tem que mudar! O Consórcio tá parado e bagunçado. O transporte público precisa ter investimento”, ressaltou o vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB)
Troca de comando e ‘reestruturação’
Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus confirmou haver uma auditoria externa, mas evitou dar mais detalhes, limitando-se a dizer que “as auditorias realizadas na concessionária são de natureza sistêmica, periódica e decorrem de estrita determinação editalícia e contratual, fazendo parte da rotina de fiscalização do serviço”.
Sobre a possível venda, a empresa afirmou que “não existe qualquer processo de compra ou venda do Consórcio Guaicurus. Inclusive, por força legal e contratual, qualquer alteração dessa natureza dependeria de prévia anuência do poder público municipal”.
Conforme o contrato de concessão, a venda do Consórcio Guaicurus é permitida desde que tenha o aval da Prefeitura. A reportagem apurou que o município não recebeu qualquer comunicação oficial sobre a possível negociação.
Quanto à troca de comando, o Consórcio Guaicurus disse que “trata-se de um processo estritamente corporativo de governança e reestruturação interna”, sem dar mais detalhes.
O vereador Maicon Nogueira (PP) afirmou ter recebido informações sobre a suposta venda do Consórcio Guaicurus a outro grupo. “Temos a informação de que houve uma tentativa de venda da empresa para um grupo de outro Estado e estamos aguardando os desdobramentos. A saída do diretor pode ser um indicativo de que houve essa venda”, sugeriu o parlamentar.
Comissão da intervenção pressiona Consórcio
Enquanto isso, o Consórcio Guaicurus deve ser intimado ainda nesta semana a se posicionar sobre um relatório que aponta diversas irregularidades contratuais.
Tudo foi levantado pela comissão que conduz os trabalhos para analisar a intervenção na concessionária.
Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou abertura de processo para avaliar possível intervenção no Consórcio Guaicurus.
As empresas assumiram o transporte público da Capital em outubro de 2012 e, desde então, enfrentam duras críticas pela má qualidade do serviço oferecido. Nesse intervalo de tempo, o Consórcio Guaicurus já foi alvo de diversas CPIs, que sempre ‘terminaram em pizza’. A mais recente, no ano passado, teve relatório encaminhado ao MPMS, onde o caso está parado.
Conforme apurado pela reportagem, o processo deve entrar na reta final. O prazo seria agora em maio, mas houve pedido de prorrogação de 30 dias. Ou seja, o documento que pode sugerir a intervenção no Consórcio Guaicurus à prefeita Adriane Lopes (PP) deve estar pronto até o começo de junho.
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