Conselheiro do TCE-MS vai depor em ação contra PMs pegos na Máfia dos Cigarreiros

23 de maio de 2026
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A Justiça mandou intimar o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) Marcio Monteiro para depor em uma ação da “Máfia dos Cigarreiros”, um esquema envolvendo policiais militares que receberiam propina para liberar cargas contrabandeadas de cigarros.

Essa ação do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) acusa os tenentes-coronéis da PMMS (Polícia Militar de MS) Admilson Cristaldo Barbosa e Luciano Espíndola da Silva de enriquecimento ilícito. O caso está sob sigilo.

Em despacho, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, agendou audiência para uma oitiva do conselheiro, no dia 3 de agosto, às 14h.

O trecho publicado na edição desta sexta-feira (22) do Diário da Justiça não esclarece se Monteiro falará como testemunha de defesa ou acusação, ou apenas dará informações que interessem ao processo.

O conselheiro poderá falar por meio de videoconferência. O juiz ainda manteve os depoimentos de outras testemunhas no dia 5 de agosto.

Jornal Midiamax tentou obter um posicionamento com o conselheiro Marcio Monteiro, tanto por meio da assessoria de imprensa do TCE-MS como pelo escritório de advocacia que o representa. Os contatos por telefone e e-mail foram documentados e o espaço ainda está aberto para manifestação.

Máfia dos Cigarreiros

A primeira fase da Operação Oiketicus foi desencadeada pelo Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar em 2018.

Na operação, 29 policiais acabaram presos e denunciados por corrupção passiva e organização criminosa, por integrarem a chamada Máfia dos Cigarreiros.

As investigações começaram em abril de 2017 e apontaram que policiais militares de Mato Grosso do Sul davam suporte ao contrabando, mediante pagamento sistemático de propina. Com isso, eles interferiam na fiscalização de caminhões carregados de cigarros.

Isso ocorria para que não houvesse apreensões de cargas e veículos. Os cigarreiros agiam associados desde o início de 2015, estruturalmente ordenados e com divisão de tarefas. Assim, as atividades eram desenvolvidas em dois grandes núcleos.

O que diz a denúncia

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) traz que os servidores tiveram atuação bem delimitada e respondem pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa.

“Os requeridos teriam se unido para favorecer a atividade ilegal de contrabando de cigarros, em contrapartida ao recebimento de propina paga pelos contrabandistas, atuando de maneira estável e organizada, pelo menos desde o ano de 2015, dividindo as tarefas de suporte ao grupo criminoso, notadamente na interferência de fiscalizações de caminhões carregados, em dois núcleos policiais, com atuação nas regiões Oeste e Sul do Estado, por onde seriam escoados os produtos contrabandeados”, diz a denúncia.

Na época, Admilson estava à frente do comando do batalhão de , enquanto Luciano comandava a polícia em . Valendo-se das funções, eles permitiam que a organização criminosa ‘trabalhasse’ sob a área de comando. Assim, eles eram considerados responsáveis pelo núcleo da região oeste, que compreendia as cidades de , Jardim, Guia Lopes da Laguna e Bonito.

A investigação apontou que Admilson recebeu em propina o equivalente a R$ 280.563,40. Ainda na corporação, ele recebia salário de R$ 23.766,01. Luciano tinha vencimentos de R$ 19.606,96 e garantiu com o crime pelo menos R$ 55 mil. Parte da investigação apurou a queda expressiva nas apreensões de contrabando após os tenentes-coronéis assumirem os comandos.

A quebra do sigilo bancáriopermitiu que a investigação apontasse ganho muito além dos salários dos oficiais. Admilson, por exemplo, gastou boa parte do dinheiro em viagens nacionais e internacionais, além da compra de veículos de luxo, como uma motocicleta BMW avaliada em quase R$ 80 mil.

Luciano seguiu a mesma linha, ostentando bens e veículos de luxo, muito além do possível de se adquirir com o salário do militar.

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