Consórcio Guaicurus apela à Justiça para não pagar R$ 64 mil em multas

7 de junho de 2026
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O Consórcio Guaicurus foi condenado pela Justiça a pagar mais de R$ 64,8 mil em multas aplicadas pelo município de  por irregularidades na prestação do serviço.

A ação foi movida pelo time de advogados da concessionária, que tentou derrubar as sanções por vias judiciais. A empresa havia tentado anular as multas dentro de processo administrativo na Prefeitura, mas apresentou as defesas fora do prazo.

A maioria das multas é por atrasos nas linhas, recusa de motorista em realizar embarque de passageiro e até mesmo uma multa por direção perigosa.

São 177 multas aplicadas entre 2013 e 2019. Ou seja, são infrações de 13 anos atrás que o município ainda não recebeu. Para ganhar mais tempo, o Consórcio Guaicurus apresentou apelação da decisão do juiz Marcelo Andrade Campos Silva.

Entre os argumentos, os empresários do ônibus que detêm concessão bilionária dizem que houve erros nas multas e nos julgamentos administrativos da prefeitura e que a sentença ignorou provas importantes apresentadas pela concessionária.

Processo de intervenção

Enquanto isso, o Consórcio Guaicurus enfrenta processo administrativo do município que pode resultar na intervenção. No dia 2 de junho, houve audiência pública, que contou com participação da população, autoridades e representantes da concessionária.

Na ocasião, passageiros fizeram duras críticas ao serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus e questionaram: “Tem como piorar?”.

Manifestação de passageiros contra o Consórcio Guaicurus, em 2025. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

O documento técnico desmonta a tese dos empresários do ônibus e conclui que “não se mostra tecnicamente viável, no atual cenário, a adoção de medidas isoladas ou pontuais de reequilíbrio econômico-financeiro”. Ou seja, é uma situação que não será resolvida com um simples reajuste de tarifa ou mais subsídios ao Consórcio.

A conclusão é que a situação é caótica e exige medidas por parte do município: “O cenário apresentado evidencia a existência de fatores que, em conjunto, comprometem a adequada execução contratual, cabendo ao poder concedente avaliar as medidas administrativas cabíveis”.

Agora, a comissão de intervenção tem até o dia 8 de junho para apresentar o relatório final e encaminhá-lo à prefeita Adriane Lopes (PP), que tomará a decisão.

Empresários do ônibus tentam barganhar

Ônibus do Consórcio Guaicurus pegou fogo na Avenida Guaicurus, em 23 de maio de 2025, e assustou usuários. (Reprodução)

Como medida para evitar possível intervenção, o Consórcio Guaicurus apresentou defesa dentro do processo administrativo da Prefeitura, dizendo que consegue colocar, em 15 dias, 100 novos ônibus nas ruas.

O número é praticamente metade do exigido pelo município desde janeiro para tirar de circulação os veículos que não têm mais condições de rodar.

No entanto, a Agereg — agência que fiscaliza o contrato — já ressaltou que a substituição dos ônibus velhos é obrigação contratual que vem sendo descumprida há anos pelo conglomerado.

Enquanto tenta ‘barganhar’ 100 novos ônibus com a Prefeitura de Campo Grande para evitar uma possível intervenção, o Consórcio Guaicurus sequer substituiu 197 veículos sucateados após exigência feita pelo município em janeiro deste ano.

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