Cuidado: Campo Grande tem aumento em casos de doenças respiratórias
Campo-grandenses com sintomas gripais começam a lotar hospitais e unidades de saúde na Capital. O cenário gera alerta, já que é nesta época do ano que os casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) aumentam consideravelmente, sobrecarregando o sistema de saúde.
Dados do CIEVS-CG (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Campo Grande) indicam que, no momento, os casos não são iguais ou superiores a 2025 — considerando o período de janeiro a abril. No entanto, somente neste ano, 548 casos de síndrome respiratória foram totalizados na Capital.
Desses, 195 são de síndrome não especificada, 141 rinovírus, 56 VSR, 34 são influenza A, 17 são metapneumovírus, 16 são covid-19, 12 são adenovírus, 9 são influenza B, 5 por outros vírus respiratórios e 3 por outro agente etiológico. Outros 60 casos seguem em aberto.

Por que as doenças respiratórias aumentam nesta época?
Segundo o médico Marcelo Santana Silveira, presidente do SinMed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), as dinâmicas das infecções respiratórias ao longo das estações do ano são sazonais, ou seja, em alguns períodos os casos aumentam consideravelmente enquanto, em outros, os números são bem menores. Fato é: independentemente da época do ano, diversos vírus estarão em circulação.
Acontece que, no período do outono e inverno, quando as temperaturas começam a despencar, nossos hábitos mudam, favorecendo a transmissão de doenças respiratórias.
Por exemplo: no calor, costumamos sair para lugares abertos, bebemos mais água, evitamos aglomerações pelo desconforto térmico e mantemos a ventilação dos ambientes. Por outro lado, nos dias mais gelados, costumamos ficar em ambientes fechados e não nos importamos com locais mais aglomerados. Esses hábitos criam cenários ideais para a transmissão dos vírus.
Outro ponto importante é o fator cultural. São poucas as pessoas que utilizam a máscara frequentemente em locais fechados ou de aglomeração, ou que têm o hábito de utilizar álcool em gel e higienizar objetos pessoais. Como aprendemos na pandemia da covid-19, esse é um fator decisivo na prevenção. Como não nos cuidamos tão adequadamente, ficamos suscetíveis às doenças respiratórias.
Superlotação no sistema de saúde
Ao analisar os grupos mais afetados por doenças respiratórias em Campo Grande, observa-se um alto índice entre crianças. Em 2026, do total de casos registrados, 287 correspondem a crianças menores de cinco anos. Segundo o doutor Marcelo, alguns fatores influenciam os dados.
Crianças frequentam escolas com salas geralmente cheias, o que aumenta a proximidade entre elas e facilita a transmissão de doenças. Além disso, a falta de cuidados rigorosos com higiene, comum também entre muitos adultos, tende a ser ainda maior entre as crianças, elevando o risco de contágio. Nesse contexto, ao retornarem para casa, os pequenos podem transmitir infecções aos demais membros da família, contribuindo para o aumento dos casos.
O especialista acrescenta que Campo Grande possui, em média, 200 mil crianças e adolescentes. Com base nesse número, a cidade deveria contar com cerca de 300 leitos hospitalares para atender adequadamente essa população. No entanto, essa realidade está distante há mais de uma década. Atualmente, o sistema de saúde dispõe de apenas 25% da capacidade ideal de leitos, o que explica a recorrente sensação de superlotação enquanto não há ampliação da estrutura disponível.
Cuidados com a saúde
Logo que esfria, muitas pessoas mudam seus hábitos de alimentação e hidratação. Há, ainda, quem prefira suplementar vitaminas para aumentar a imunidade. Sobre isso, doutor Marcelo orienta.
“Carência de vitamina só se descobre com exames, mas, normalmente, quando a pessoa tem uma alimentação boa e leve, come bastante fruta, verdura e legumes, bebe sucos naturais e, principalmente, bebe bastante água, se hidrata de forma positiva, a possibilidade de aporte de vitamina e nutriente é muito mais efetiva.”
A vacinação contra a gripe, ofertada gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), ainda não está disponível para todas as pessoas. No entanto, é o principal caminho para se proteger de quadros graves da influenza e, por isso, quando liberada, deve ser rapidamente procurada.
“A gente precisa valorizar a vacinação! Ela veio pra mudar toda a nossa saúde pública, é baseada em ciência e por isso a população deve aderir a todo o calendário de vacinação. Este foi um dos fatores que permitiu a longevidade da população nas últimas décadas.”
Confira outros cuidados fundamentais para esta época do ano:
- Proteja o trato respiratório nas horas mais frias. Uso de máscaras faciais e cachecóis é importante, e não respirar pela boca também ajuda;
- Mantenha a hidratação ingerindo água e faça higiene nasal com soro fisiológico de 1 a 2 vezes por dia;
- Evite exercícios intensos ao ar livre nas horas mais frias/secas;
- Mantenha distância de fumaça, incenso e sprays irritantes.
- Faça manejo adequado do ambiente interno, ventilando o ambiente e mantendo umidade moderada, além de manter a limpeza dos sistemas de ventilação e ambientes, sem deixar acúmulo de poeira;
- Pacientes com asma e rinite devem fazer o uso correto de medicações de controle, conforme prescrição médica;
- Em caso de sinais de alarme, como falta de ar em repouso, chiado persistente, febre alta, dor torácica ou queda importante do pico de fluxo, a pessoa deve procurar atendimento médico imediato.
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