Em meio à epidemia, frente fria pode aliviar avanço da chikungunya em MS

5 de abril de 2026
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A partir desta segunda-feira (7), uma frente fria alcança o Sul do Brasil, com temperaturas mínimas que podem chegar a 12°C no interior de Mato Grosso do Sul. A expectativa de infectologistas é que a mudança no tempo possa ajudar a frear o avanço da disseminação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya.

Com mais de 200 casos a cada 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de incidência da doença. Quatorze cidades do Estado enfrentam epidemia de chikungunya. O Estado tem mais de 3,6 mil casos prováveis e acumula sete mortes pela doença — em Dourados, Bonito e Jardim.

Segundo o Ministério da Saúde, a temperatura climática e chuva são fatores importantes que influenciam na infestação pelo Aedes. Para evitar a proliferação do mosquito, é preciso eliminar criadouros, onde há água parada. Acabar com o mosquito é essencial para frear o avanço do surto em Mato Grosso do Sul.

‘Casos vão diminuir’

No entanto, a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Telila, alerta que é difícil combater o mosquito em um momento de tanta circulação do vírus. “Enquanto a gente tiver ambiente propício para acúmulo de água e clima propício para replicação desse mosquito, nós vamos ter dificuldade.”

Assim, a especialista aposta que a circulação do vírus só vai diminuir mesmo com a mudança do clima. “Quando vier aquela frente fria que toma conta do nosso Estado, de 5°C, aí talvez nós teremos uma resolução maior, porque controlar o vetor em vigência de alta circulação viral é difícil mesmo”, explica Andyane Tetila.

O infectologista Julio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), afirma que a frente fria da próxima semana pode ajudar a controlar a epidemia. “A sazonalidade das arboviroses é essa, o número de casos vai diminuir muito a partir de abril e maio. A sazonalidade é de janeiro a abril.”

Ciclone extratropical

A previsão do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) diz que, entre os dias 7 e 9 de abril, há a tendência de formação de um ciclone extratropical no oceano Atlântico, associado ao avanço de uma frente fria. Isso aumenta a nebulosidade e causa chuvas, tempestades e queda nas temperaturas no Estado.

Além da frente fria, há indicativos de avanço de uma massa de ar mais frio. Entre os dias 10 e 12 de abril, as mínimas atingem entre 12°C e 14°C, especialmente na região sul do Estado.

Como me proteger?

Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:

  • Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
  • Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
  • Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
  • Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
  • Amarre bem os sacos de lixo;
  • Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
  • Não acumule sucata e entulho;
  • Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
  • Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
  • Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
  • Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras;
  • Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
  • Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água.

Mortes por chikungunya

O ano passado foi o mais letal para chikungunya no Estado. A primeira morte foi registrada em 4 de fevereiro de 2025, em Dois Irmãos do Buriti. As próximas mortes foram registradas ao longo de abril, quando o número total subiu para sete. Mais cinco pessoas morreram em maio de 2025, outras seis em junho, e a última, em julho.

Neste ano, faltando um dia para o fim de março, o Estado já acumula sete mortes. O óbito mais recente foi confirmado no sábado (28). A vítima é uma mulher com mais de 80 anos, que morava em Jardim. Além disso, em Bonito, morreu um homem de 72 anos, com diabetes e pressão alta.

Em Dourados, a primeira morte foi registrada em 25 de fevereiro: uma mulher de 69 anos, também com diabetes e pressão alta. Em 9 de março, morreu um homem de 73 anos. No dia seguinte, foi registrado o óbito de um bebê de três meses. Em 12 de março, mais uma mulher morreu, com 60 anos de idade. Por fim, a morte de um bebê de um mês foi registrada no último dia 24.

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