Franceses nunca engoliram acordo Mercosul, diz Ronaldo Caiado após veto à carne brasileira
Em agenda em Campo Grande nesta sexta-feira (15), o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que a União Europeia criou empecilhos ao Mercosul ao querer barrar a importação de carne brasileira.
Para ele, os franceses não aceitam o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. “Você sabe que os franceses nunca engoliram o acordo. A Irlanda também. Então, nessa parte da pecuária, eles criam todo e qualquer artifício para tentar criar dificuldades sanitárias ou utilização”, afirmou Caiado.
Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre os blocos entrou em vigor no começo deste mês, criando uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo e reduzindo significativamente tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.
Caiado criticou a decisão da UE e lembrou que eles ‘desenvolveram’ a doença da ‘Vaca Louca’. “Nós sabemos que o único rebanho que é herbívoro no mundo é o rebanho brasileiro. Se daqui se alimenta de capim, é de verde. Ou seja, essa é a realidade. Eles que estão falando de nós, mas foram eles que desenvolveram a vaca louca. Porque lá na Europa se come resto de outros animais mortos”, comentou.
Segundo ele, França e Irlanda — por não aceitarem as regras — tentam colocar em xeque a reputação da carne brasileira. “O mundo todo hoje importa carne do Brasil. Então, este assunto deverá ser tratado para rigidez de um contrato de respeito ao assinado com o Mercosul”, ressaltou.
Restrição à carne brasileira
As medidas da União Europeia contra a produção brasileira valem a partir de 3 de setembro de 2026. Em nota, o Governo Federal explicou que “a decisão decorre do resultado da votação realizada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia”.
Isso porque o grupo aprovou uma atualização de países autorizados a exportar produtos de origem animal. “Vale ressaltar que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem normalmente”, informou o Governo Federal.
Acordo Mercosul-UE
Os termos do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos.
A aplicação do tratado, no entanto, ocorre de forma provisória por decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. O processo pode demorar até dois anos.
Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da CNI (Confederação Nacional da Indústria). A maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao continente poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.
Na prática, a redução de tarifas diminui o preço final dos produtos e aumenta a competitividade frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já terão tarifa zero nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.
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