Médica apontada como líder de desvios de R$ 27 milhões tem prisão mantida pela Justiça

14 de julho de 2026
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A Justiça manteve a prisão da médica Olívia Paroschi Jafar, apontada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) como uma das líderes de esquema que desviou R$ 27 milhões da educação em 17 cidades de Mato Grosso do Sul.

O relator do HC (habeas corpus), desembargador Waldir Marques, negou liminarmente (provisoriamente) o pedido feito pela defesa de Olívia: “Posto isso, indefiro o pedido liminar. Requisitem-se informações à origem”.

Assim, foram requisitadas informações da juíza que decretou a prisão. Depois, os desembargadores da 2ª Câmara Criminal irão analisar novamente o pedido.

Paralelamente ao HC, a defesa de Olívia também fez um pedido de revogação de prisão no processo principal. No entanto, em decisão publicada no Diário da Justiça desta terça-feira (14), a juíza May Melke Amaral Penteado, do Núcleo de Garantias, avaliou pedido feito pela defesa da médica e alegou ‘tumulto processual’.

Deixo de conhecê-lo, posto que tal pleito configura incidente processual e sua protocolização
nos autos da medida cautelar dificulta a celeridade e causa tumulto processua
l”, disse a magistrada.

Isso quer dizer que os advogados devem fazer o pedido novamente, em processo separado. Somente assim, a magistrada irá analisar o mérito do pedido, ou seja, se cabe conceder a liberdade à Olívia ou não.

O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção. A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica.

Então, quebra de sigilo fiscal apontou que Olívia recebia diversas transferências em sua conta pessoal da Editora Avante, que firmava contratos com os municípios.

Para o Gaeco, essa é a prova de que Olívia era uma das líderes do esquema, junto dos irmãos e da mãe.

No total, a Operação Gutenberg prendeu 14 pessoas, incluindo o clã Jafar, com exceção de Giovanni, que é considerado foragido. A mãe, Rossana, foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo.

Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques.

A reportagem procurou a defesa de Olívia, mas não houve retorno até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Confira os presos na Operação Gutenberg:

  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
  • Rhayane Souza Fanaia – nora de Rossana e ‘laranja’ como dona da editora Avante
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado.
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