MPE investiga ocultação de patrimônio e compra fracionada de dólares por ex-chefe da Funesp

19 de maio de 2026
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O Ministério Público Estadual (MPE) investiga o ex-presidente da Funesp (Fundação Municipal de Esportes) e ex-secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Sandro Trindade Benites (PP), por suspeitas de movimentações financeiras consideradas atípicas, ocultação de valores e utilização de terceiros para operações relacionadas à compra de dólares. As apurações incluem depósitos em espécie, transferências via Pix e mensagens que indicariam tentativas de fracionar aquisições de moeda estrangeira.

Médico, major do Exército Brasileiro, ex-vereador e alinhado ao bolsonarismo, Sandro Benites ocupou cargos estratégicos na administração da prefeita Adriane Lopes (PP). Ele deixou o comando da Funesp após decisão judicial conceder medida protetiva em favor de Z.A.S., mulher com quem manteve relacionamento extraconjugal por cerca de seis anos.

Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público, Benites teria recorrido à então companheira para realizar parte das movimentações financeiras investigadas. O documento aponta “possível ocultação e dissimulação de valores”, mencionando o uso de terceiros em operações bancárias e transferências eletrônicas registradas em nome de outras pessoas.

A representação apresentada ao MPE reúne comprovantes de depósitos em dinheiro vivo, capturas de tela de conversas no WhatsApp, fotografias e áudios atribuídos ao ex-presidente da Funesp. Nas mensagens, ele aparece orientando a mulher sobre como proceder na compra de dólares em diferentes etapas.

Em uma das conversas anexadas à denúncia, Sandro Benites sugere a aquisição inicial de US$ 15 mil — valor que, na cotação atual, supera R$ 74 mil. Na sequência, orienta novas compras parceladas ao longo dos meses.

“Compra 15 mil dólares. Depois, devagarzinho, a gente compra mais cinco mil dólares em Campo Grande, outro mês mais cinco mil dólares. E assim vai indo. Ok?”, afirma em uma das mensagens enviadas à então amante.

Em outro trecho, a estratégia é reiterada. “Meu amor, passa aqui e entrego o dinheiro. Você compra cinco mil dólares, semana que vem mais cinco mil dólares, mais cinco mil e mais cinco mil”, diz.

As mensagens também revelam preocupação com a valorização da moeda norte-americana. Em uma delas, o ex-secretário lamenta a alta do dólar, que teria passado de R$ 5,40 para R$ 6 durante o período das operações mencionadas.

“Dez mil dólares hoje, você me arruma cinco mil em um lugar, cinco mil dólares em outro. Tava comprando a R$ 5,40, agora tá R$ 6, perdeu o time, sacanagem”, afirma.

Em outro diálogo anexado ao procedimento, Benites admite a possibilidade de utilizar transferência bancária para aquisição da moeda estrangeira. “Posso fazer Pix de R$ 30 mil para comprar dólares”, registra a mensagem. O comprovante da operação também integra o material entregue aos investigadores.

Entre os documentos reunidos, há ainda comprovante de um depósito em espécie de R$ 64 mil realizado na conta de Z.A.S. Conforme a denúncia, as movimentações suspeitas teriam ocorrido desde 2023, período em que Sandro Benites comandava a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), estendendo-se até este ano, quando presidia a Funesp.

A investigação financeira se soma às acusações envolvendo violência psicológica e doméstica feitas pela ex-companheira. Após o fim do relacionamento, segundo o relato apresentado à Justiça, ela passou a sofrer ameaças e pressões do ex-vereador.

A mulher também afirma que Benites articulou sua exoneração de um cargo comissionado na Câmara Municipal de Campo Grande, onde trabalhava havia seis anos. Segundo a denúncia, ele teria pressionado o presidente da Casa, vereador Papy (PSDB), para que a demissão fosse efetivada.

Figura conhecida entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso do Sul, Sandro Benites ganhou notoriedade durante os atos realizados em frente ao Comando Militar do Oeste, após as eleições de 2022. Na ocasião, participou de manifestações que pediam intervenção militar para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-dirigente da Funesp também esteve recentemente em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo relatos incluídos na denúncia, ele teria viajado ao país em fevereiro deste ano para participar de encontros ligados ao grupo Legionários e realizar turismo com familiares. O retorno da viagem coincidiu com o agravamento do conflito envolvendo a ex-companheira, que obteve medida protetiva às vésperas do Dia Internacional da Mulher.

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