MS registra uma das menores expansões urbanas do Brasil
Mato Grosso do Sul figura entre as unidades da Federação com menor avanço da urbanização horizontal do país entre 2019 e 2022, conforme revela o levantamento Áreas Urbanizadas do Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o estado registrou expansão de apenas 0,01% em sua área urbanizada, índice que o coloca ao lado de Mato Grosso, Rondônia, Acre e Pará. Apenas Amazonas e Roraima permaneceram sem crescimento na comparação.
Os dados foram obtidos por meio da interpretação de imagens de satélite e medem a expansão da chamada morfologia urbana, que engloba áreas ocupadas por edificações, equipamentos urbanos e loteamentos. A pesquisa avalia principalmente o crescimento horizontal das cidades, sem considerar o aumento da verticalização ou informações relacionadas à população residente.
Faixa de fronteira reforça perfil de baixa ocupação
O resultado observado em Mato Grosso do Sul acompanha outro aspecto destacado pelo levantamento: a reduzida concentração de áreas urbanizadas nos municípios da faixa de fronteira, característica que envolve parcela significativa do território sul-mato-grossense.
Segundo o IBGE, os 590 municípios brasileiros localizados na faixa de fronteira ocupam 26,61% do território nacional, mas concentram apenas 8,28% de toda a área urbanizada mapeada em 2022. A distribuição evidencia um padrão de ocupação mais disperso nessas regiões, em contraste com outras partes do país.
A comparação com os municípios litorâneos reforça essa diferença. Embora representem apenas 5,02% da área territorial brasileira, as 443 cidades costeiras concentram 19,5% de todas as superfícies urbanizadas, demonstrando a histórica concentração da urbanização ao longo do litoral.
Brasil incorpora área equivalente ao Distrito Federal
Enquanto Mato Grosso do Sul apresentou crescimento praticamente estável, o Brasil registrou expansão significativa da malha urbana no mesmo período.
Entre 2019 e 2022, o país incorporou 5.954,99 quilômetros quadrados de novas áreas urbanizadas e loteamentos vazios, uma ampliação de 12,27%, equivalente a uma superfície pouco maior que a do Distrito Federal, que possui cerca de 5.760 km².
Ao final de 2022, o território brasileiro contabilizava 53.925 km² classificados como áreas urbanizadas, o correspondente a 0,6% da extensão nacional. Em termos de dimensão, trata-se de uma área próxima ao tamanho do estado da Paraíba.
O levantamento representa a atualização mais recente sobre a ocupação urbana do país e, por questões metodológicas, permite comparação apenas com os dados produzidos em 2019.
Pesquisa mede expansão física das cidades
A analista do IBGE Andressa Rosas de Menezes ressalta que o estudo não mede crescimento populacional nem a verticalização das cidades.
Segundo ela, a análise se baseia exclusivamente na observação das estruturas visíveis em imagens de satélite.
“A gente olha telhados, a gente vê de cima. Então essa pesquisa não traz nenhuma informação de verticalização”, explica.
O objetivo, segundo a pesquisadora, é acompanhar a evolução espacial da urbanização brasileira, produzindo informações capazes de subsidiar políticas públicas relacionadas ao planejamento urbano, mobilidade, habitação, infraestrutura e sustentabilidade.
Áreas densas predominam na ocupação urbana
Do total de 53,9 mil km² identificados pelo levantamento, aproximadamente 48,8 mil km² correspondem a áreas efetivamente urbanizadas, caracterizadas pela presença de moradias, comércio e atividades industriais.
A pesquisa também identificou cerca de 1,6 mil km² destinados a equipamentos urbanos, como aeroportos, portos, estações de tratamento de água, cemitérios e usinas fotovoltaicas.
Além disso, foram mapeados 503 km² de vazios intraurbanos — espaços não edificados inseridos no tecido urbano, como parques e lagoas — e aproximadamente 2,9 mil km² de loteamentos vazios, áreas já parceladas, mas ainda sem edificações suficientes para serem classificadas como urbanizadas.
Quanto à densidade da ocupação, 70,66% das áreas urbanizadas brasileiras são classificadas como densas, caracterizadas por elevada concentração de edificações e reduzida presença de vegetação ou espaços livres. As áreas pouco densas representam 23,88%, enquanto os loteamentos vazios correspondem a 5,46% da superfície urbana mapeada.
Urbanização permanece concentrada no litoral e em poucos estados
Os resultados reforçam a desigual distribuição territorial da urbanização brasileira.
Além da forte presença de áreas urbanizadas no litoral, o levantamento mostra que a Amazônia Legal, apesar de ocupar 59,11% do território nacional, reúne apenas 14,27% da área urbanizada do país.
A pesquisa também aponta elevada concentração em poucos estados. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia respondem, juntos, por 50,35% de toda a área urbanizada brasileira.
Outro destaque é o Distrito Federal, que apresenta a maior proporção territorial urbanizada do país: 11,5% de sua superfície está ocupada por áreas urbanas. No extremo oposto aparece o Amazonas, onde apenas 0,05% do território é urbanizado.
Para Andressa Rosas, a ocupação urbana brasileira apresenta dinâmicas bastante distintas entre as regiões, exigindo monitoramento contínuo e integração com indicadores socioambientais.
Segundo a pesquisadora, esse conjunto de informações é fundamental para orientar políticas públicas voltadas ao ordenamento territorial e ao planejamento das cidades.
Campo Grande está entre as maiores áreas urbanizadas do país
Mesmo com o reduzido crescimento observado em Mato Grosso do Sul, a capital sul-mato-grossense permanece entre os maiores núcleos urbanos brasileiros em extensão territorial.
Campo Grande ocupa a nona posição nacional entre os municípios com maior superfície urbanizada, somando 254,29 km², atrás apenas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Goiânia, Manaus, Belo Horizonte e Fortaleza. Entre as dez maiores áreas urbanizadas do país, apenas Campinas não é capital estadual.
Já quando o critério é a proporção do território ocupado pela urbanização, predominam municípios de alta densidade localizados principalmente no estado de São Paulo. São Caetano do Sul lidera o ranking, com 100% do território urbanizado, seguida por São João de Meriti (RJ) e Olinda (PE). Ao todo, 20 municípios brasileiros possuem mais de 60% de sua área ocupada por superfícies urbanizadas, sendo 11 deles localizados em São Paulo.
O levantamento do IBGE evidencia que, embora o processo de urbanização continue avançando no Brasil, sua intensidade permanece bastante desigual entre as regiões. Enquanto estados como Mato Grosso do Sul apresentam crescimento horizontal praticamente estável, áreas litorâneas e grandes centros urbanos seguem concentrando a maior parte da expansão e da ocupação do território nacional.
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