MS tem mais de 2 mil km de rodovias com infraestrutura incapaz de minimizar acidentes graves

5 de junho de 2026
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Mais de dois mil quilômetros de rodovias em Mato Grosso do Sul apresentam baixa capacidade de reduzir a gravidade de acidentes de trânsito, segundo dados da terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) com base em informações atualizadas de 2025. O levantamento analisa a infraestrutura viária sob a perspectiva do chamado Índice de Perdão, indicador que mede o potencial das estradas de atenuar as consequências de falhas humanas, problemas mecânicos ou colisões inevitáveis.

Dos 4.739 quilômetros de rodovias avaliados no Estado, 2.024 quilômetros foram enquadrados na categoria de Baixo Índice de Perdão, representando 42% da malha analisada. Outros 2.282 quilômetros receberam classificação intermediária, enquanto apenas 433 quilômetros alcançaram o patamar de Alto Índice de Perdão, considerado o nível mais elevado de proteção estrutural aos usuários.

Os resultados posicionam Mato Grosso do Sul como o 13º sistema rodoviário mais perigoso do Brasil quando considerado o percentual de trechos com baixo nível de segurança passiva. Ao mesmo tempo, o Estado aparece na 15ª colocação entre as unidades da federação com rodovias mais seguras, evidenciando um cenário intermediário no contexto nacional.

A metodologia adotada pela CNT avalia características físicas das vias que influenciam diretamente a severidade dos sinistros. Entre os elementos observados estão a existência de acostamentos adequados, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos próximos à pista, atenuadores de impacto e outros dispositivos destinados a reduzir danos em caso de acidentes.

Segundo a entidade, quanto maior o Índice de Perdão, maior a capacidade da infraestrutura de proteger motoristas e passageiros diante de situações críticas. Em contrapartida, rodovias com índices baixos tendem a potencializar as consequências dos acidentes, aumentando o risco de mortes e ferimentos graves.

O panorama nacional mostra que a evolução da segurança estrutural das rodovias brasileiras permanece lenta. Entre os 114 mil quilômetros analisados pela CNT em todo o país, apenas 22.694 quilômetros, equivalentes a 19,9% da malha, alcançaram classificação de Alto Índice de Perdão. A maior parcela das estradas, correspondente a 48.733 quilômetros ou 42,7%, ficou na faixa intermediária, enquanto 42.770 quilômetros, o equivalente a 37,5%, foram classificados com Baixo Índice de Perdão.

Na comparação com a edição anterior do levantamento, houve uma redução de 0,4 ponto percentual na extensão de rodovias consideradas mais seguras. Paralelamente, a faixa intermediária registrou crescimento de 0,9 ponto percentual, indicando estabilidade geral nos indicadores, mas sem avanços significativos na ampliação dos trechos mais protegidos.

A CNT destaca que mais de 80% da malha analisada ainda apresenta média ou alta probabilidade de que problemas de infraestrutura, combinados com erros de condução ou falhas mecânicas, resultem em acidentes com vítimas graves ou fatais.

O estudo também revela uma forte diferença entre os modelos de gestão das rodovias brasileiras. Nas estradas administradas pelo poder público, metade da extensão avaliada foi classificada com Baixo Índice de Perdão. Em contrapartida, apenas 4,8% desses trechos oferecem alto potencial de mitigação dos efeitos dos acidentes.

Nas rodovias concedidas à iniciativa privada, o cenário é significativamente distinto. Cerca de 62% dos segmentos avaliados alcançam Alto Índice de Perdão, enquanto apenas 2,4% foram enquadrados na categoria de menor segurança estrutural.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, os resultados reforçam a relação direta entre qualidade da infraestrutura e gravidade dos acidentes registrados nas estradas brasileiras.

“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”, afirmou.

A distribuição geográfica dos indicadores também evidencia disparidades regionais. Os trechos com melhores condições de segurança concentram-se predominantemente nas regiões Sul e Sudeste, onde as concessões rodoviárias possuem maior presença.

Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste continuam concentrando corredores classificados entre médio e baixo Índice de Perdão, inclusive em rotas consideradas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros, cenário que mantém desafios relevantes para a redução da letalidade nas estradas brasileiras.

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