Nomeado por Gerson Claro no Detran-MS ‘sumiu’, mas grupo foi denunciado por fraudes

18 de maio de 2026
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Em abril, o MP ofereceu denúncia que implica Gênis e o despachante David Cloky Hoffaman Chita, além de outros dois servidores do Detran-MS e um segundo despachante, em esquema para incluir ilegalmente o quarto eixo em semirreboques.

Gênis foi nomeado por indicação política, em abril de 2016, para exercer cargo operacional no órgão de trânsito, que estava sob o comando de Gerson Claro — atual presidente da Assembleia Legislativa.

No entanto, o ex-comissionado — que é filiado ao PP de  desde 2016 — ganhou destaque no Detran-MS após trabalhar como ‘voluntário’ na campanha política de Gerson Claro, em 2018, quando o político se elegeu pela primeira vez a um cargo eletivo como deputado estadual, também pelo PP.

Então, 26 dias após a posse de Claro como deputado, no dia 27 de fevereiro de 2019, Gênis foi promovido a gerente da agência do Detran-MS no bairro Aero Rancho, em . Assim, o salário de Gênis teve aumento de quase 80%.

Logo após essa guinada na carreira pública dentro do Detran-MS, servidores denunciaram, em março de 2019, que o órgão havia se transformado em ‘cabide de emprego’ para aliados eleitorais de Gerson Claro no Detran-MS.

Na época, Claro admitiu à reportagem que ainda exercia influência na definição de comissionados para cargos de chefia no Detran-MS, mesmo tendo deixado o comando do órgão em 2017, após ser preso acusado de corrupção no contexto da Operação Antivírus.

Ação penal contra Claro segue parada na Justiça, aguardando a realização de uma perícia.

Todas as denúncias feitas pelo Ministério Público após investigações policiais acusam Gênis de se utilizar do cargo de gerente para cometer fraudes como alterações indevidas em registros de veículos com restrições no sistema, em esquema que envolve outros servidores e despachantes, como David Cloky Hoffaman Chita, denunciado também em diversos processos de fraudes no órgão.

A reportagem procurou Gerson Claro para comentar a ligação com Gênis. Questionado sobre ter indicado o ex-servidor ao cargo, sobre a atuação dele na campanha eleitoral e sobre a promoção após a eleição do ex-diretor do Detran como deputado estadual, Claro limitou-se a dizer que não tem “nenhuma relação com ele” e “muito menos com as ações que eventualmente tenha feito. Saí do Detran em 2017. Fatos citados são após isso”.

‘Clareando cada vez mais’

No entanto, o próprio Gênis fez questão de registrar que existia, sim, relação com o padrinho político. Assim que ganhou cargo de gerente de agência após trabalhar na campanha de Claro, Gênis ‘tirou onda’ em grupo do Detran-MS, fazendo questão de exibir selfie com o padrinho político, que acabara de ser eleito deputado estadual.

Na legenda de Gênis, uma comemoração: “Tá clareando cada vez mais”.

Na época, em março de 2019, quando ainda não era denunciado, a reportagem do Jornal Midiamax falou com Gênis, que afirmou ter trabalhado como ‘voluntário’ na campanha de Claro.

Apesar da participação na campanha de Claro e foto com ele dias antes da nomeação, Gênis disse que a promoção não teria sido concedida por indicação: “Fiquei até surpreso, né? Porque, de atendente pra gerência, mostra que a gente tem competência”.

Na época, o então servidor não possuía ensino superior, mas havia dito que pretendia começar a cursar Pedagogia.

Naquela reportagem do Jornal Midiamax, um servidor concursado denunciou como funcionaria esse suposto esquema de nomeações e atuações em campanhas políticas: “O que está rolando é mais uma onda de aparelhamento político do Detran. Isso aqui sempre foi um cabide de emprego e, para se manter nos cargos, os nomeados trabalham eleitoralmente. Atuam nas campanhas falando que são voluntários, mas recebem os salários por aqui no resto do tempo. Além disso, ficam com os melhores cargos, trabalham com menos compromisso, e a qualidade do atendimento sempre fica em último plano”.

A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas membros do grupo afirmam que políticos supostamente implicados não chegaram a ser investigados. Algumas das operações deflagradas pela Polícia Civil contra corrupção no Detran-MS são Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo.

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