Corregedoria afasta delegado e sete investigadores presos em operação que apura suspeita de desvio de drogas em MS

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Fachada da sede do Ministério Público de Mato Grosso do Sul
Sede do Ministério Público de MS, em Campo Grande; a operação é do Gaeco. Foto: Divulgação/MPMS (arquivo)

Portarias publicadas no Diário Oficial desta sexta recolhem armas e carteiras funcionais e suspendem o acesso a sistemas enquanto durar a prisão preventiva. Não há condenação

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou compulsoriamente um delegado e sete investigadores presos preventivamente na Operação Infiltrados. As oito portarias foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (25), com efeito desde quinta-feira (24), dia em que os mandados de prisão foram cumpridos. A operação é do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apura a suspeita de que policiais tenham desviado drogas apreendidas, principalmente cocaína, e as repassado ao tráfico. Os policiais são investigados e não há condenação; as prisões preventivas são medidas cautelares e não significam culpa.

O que as portarias determinam

As portarias CGPC/MS nº 015 a 022, de 24 de setembro, assinadas pelo corregedor-geral da Polícia Civil, determinam:

MedidaDetalhe
Afastamento compulsórioDas funções, pelo prazo em que durar a prisão
RecolhimentoArma, carteira funcional e demais bens públicos destinados aos policiais
SistemasSuspensão de senhas e logins nos bancos de dados da polícia, como Sigo e Infoseg
FériasSuspensas
EfeitoA partir de 24/09/2026, data do cumprimento dos mandados de prisão
Próximo passoO resultado das investigações será objeto de ação disciplinar na Corregedoria

As portarias citam a decisão da Vara do Juiz de Garantias da Comarca de Campo Grande que decretou as prisões preventivas.

Números da operação

ItemNúmero
Mandados de prisão preventiva24
Mandados de prisão temporária2
Mandados de busca e apreensão38
Total de ordens judiciais64
CidadesCampo Grande, Dourados e Terenos
Policiais presos até a divulgação do Gaeco, na quinta (parcial)9 policiais civis, 2 policiais militares e 1 policial penal

Fonte: MPMS (24/09). O número final de presos não foi divulgado até a última atualização deste texto. As portarias publicadas no DOE tratam de oito policiais civis.

O que a investigação apura

Segundo o MPMS, a investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas encontradas por acaso em duas outras operações do Gaeco, a Traquetos e a Blindspot. De acordo com o órgão, o suposto desvio teria ocorrido de duas formas: deixando parte da droga apreendida fora dos registros oficiais ou retirando entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga, segundo o MPMS, seria repassada a traficantes ligados a uma organização criminosa, que a colocariam de volta no mercado ilegal.

Essas são suspeitas da investigação, que corre sob sigilo e ainda serão analisadas pela Justiça. Não há condenação. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não significa culpa.

A operação teve o apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal, segundo o MPMS. A OAB/MS acompanhou as buscas na casa de uma advogada.

Processo disciplinar e posição da Sejusp

Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os servidores afastados vão responder a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, que podem levar à demissão, independentemente do andamento das ações penais, informaram o Campo Grande News e o Dourados Informa.

Em nota divulgada na quinta-feira, a Sejusp disse que os servidores envolvidos “já eram investigados pelas respectivas Corregedorias” e afirmou: “Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados”.

Audiências de custódia

Segundo o Campo Grande News, os investigadores presos passariam por audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (25). O delegado se apresentou à Corregedoria no fim da tarde de quinta-feira e deve passar pela audiência no sábado (26). O resultado das audiências não havia sido divulgado até a última atualização deste texto.

O outro lado

A defesa do delegado disse ao Campo Grande News que ele ficou “muito surpreso” com a ordem de prisão, que ainda não conhece as acusações porque não teve acesso aos autos e que vai pedir a revogação da prisão. Segundo o advogado, o delegado não sabia da operação com antecedência, e ter saído de casa antes da chegada das equipes, na manhã de quinta, foi “coincidência”.

Ao g1, advogados dos demais policiais afastados disseram não ter tido acesso aos autos e, por isso, não se manifestaram.

O Hora MS está aberto à manifestação das defesas de todos os investigados, da Polícia Civil e da Sejusp.

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