Polícia investiga participação de 30 servidores do Detran-MS em fraudes
A Polícia Civil investiga o envolvimento de cerca de 30 servidores do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) em fraudes no órgão, conforme o corregedor-geral de Trânsito, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita.
O próprio departamento identificou que foram realizadas mais de 4 mil fraudes no período de cinco anos, entre 2020 e 2024, além das diversas operações contra a corrupção no órgão. Segundo Mendonça, “quase sempre” os servidores contavam com a parceria de algum despachante.
Entretanto, alguns nem sequer precisavam dessa mediação para cometer os crimes. “Em alguns casos, a participação do despachante não foi comprovada, podendo ter sido realizada pelo servidor em contato direto com os proprietários de outros estados ou do próprio Mato Grosso do Sul”, afirmou ao Jornal Midiamax.
Dentre as fraudes identificadas, estão a transferência de cadastro do veículo para MS, vistoria veicular, alteração de característica (inclusão de eixo) e transferência de propriedade, sem que o veículo sequer estivesse no Estado.
Houve uma força-tarefa para identificar os casos, que teriam ocorrido entre 2019 e 2024, em diversos municípios do Estado. O estopim foi uma fraude de inclusão de eixo adicional em São Gabriel do Oeste, em 2019.
Polícia Civil vai investigar casos
O trabalho identificou atuação de organização criminosa no órgão: “Todos os casos em que foram identificados crimes foram encaminhados para a Polícia Civil”, disse o delegado.
Então, o delegado afirmou que há atuação de diversas pessoas, sem detalhar quantos servidores estão envolvidos. “São vários procedimentos. A Cotra [Corregedoria] atua no administrativo em relação aos servidores”, disse, e complementou que o trabalho é feito paralelamente com investigações da Polícia Civil sobre corrupção no Detran-MS.
O esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS manteve o grupo a salvo.
Algumas das operações deflagradas pela Polícia Civil contra corrupção no Detran-MS são Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo.
Despachante pivô de vários casos de fraudes no Detran-MS
Inclusive, no ano passado, o despachante David Cloky Hoffaman Chita foi preso. Ele é réu em diversos processos por operar fraudes no Detran-MS. Ele aponta que o verdadeiro chefe do esquema seria o deputado Beto Pereira (Republicanos), que chegou a ser citado em inquérito policial sobre o caso.
Também foi identificada participação da ex-servidora comissionada da Cotra Yasmin Osório Cabral como a ponte que conectava a organização criminosa para fazer alterações no sistema.
David tentou delação para acusar Beto Pereira de chefiar esquema
Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax no ano passado, David Chita apontou o deputado federal Beto Pereira (PSDB) como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS.
O despachante afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos. No entanto, a delação foi barrada na PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília.
Chita é velho conhecido do grupo político do qual Beto Pereira participa e é citado em diversas investigações por fraudes no Detran-MS.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, no ano passado, reconhecida pela Justiça como material jornalístico sério, David Chita, ao apontar Beto Pereira como o chefe da corrupção do Detran-MS, disse que as investigações são feitas para livrar políticos.
Blindagem
No ano passado, o Jornal Midiamax revelou que relatório de investigação da Polícia Civil demonstrava esquema de blindagem que existia dentro do órgão.
Em trecho do documento, a investigação revela que os procedimentos internos do Detran-MS, incluindo a Dirve (Diretoria de Veículos), comandada por Priscila Rezende de Rezende, investigavam apenas os chamados ‘digitadores’, dificultando até mesmo as investigações policiais.
Conforme a Polícia Civil, os investigados se valiam dessa brecha para se eximir da responsabilidade, dizendo que eles não tinham como saber o que acontecia antes ou depois de inserirem informações no sistema.
Assim, a polícia diz que se tratou de “verdadeiro modus operandi, utilizado durante longo período no Departamento de Trânsito do Estado de Mato Grosso do Sul, considerando as dificuldades práticas encontradas pela investigação”, segundo trecho do inquérito policial.
Ainda, a polícia aponta possível acobertamento do próprio Detran-MS: “As supostas irregularidades eram entendidas como meras transgressões disciplinares, a exemplo de extraviar documentos ou lançamento de informações imprecisas”.
Notícias Destaque
Assine nossa newsletter
Fique por dentro das últimas notícias, só preencher abaixo.

