Pré-candidatos começam a mexer as peças em MS

9 de abril de 2026
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A agenda política desta quinta-feira (9) em Campo Grande expõe, de forma simbólica e estratégica, o início mais visível da disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul. O governador Eduardo Riedel (PP) participa da abertura da 86ª Expogrande, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, ao lado do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em um movimento que reforça sua vinculação ao campo conservador e ao eleitorado de direita.

O evento, previsto para as 19h no Tatersal de Elite, não se limita à agenda institucional. A presença de Flávio, que chega à capital sul-mato-grossense no mesmo dia e deve participar de compromissos políticos e sociais — incluindo um show do cantor Zezé Di Camargo —, sinaliza o esforço de alinhamento entre candidaturas estaduais e nacionais. A articulação inclui ainda reuniões com lideranças do PL e pernoite do senador na cidade.

Base consolidada e estratégia de continuidade

Com o fim da janela partidária, o cenário eleitoral começa a se estabilizar, permitindo que os pré-candidatos ajustem discursos e estratégias. Riedel entra na disputa como favorito, sustentado por uma coalizão robusta que reúne Republicanos, PL, PP, MDB, PSD e União Brasil. A aposta central é capitalizar a continuidade da gestão iniciada por Reinaldo Azambuja (Republicanos) e tentar resolver a eleição ainda no primeiro turno — um feito raro na política estadual, alcançado apenas por André Puccinelli em 2006 e 2010.

Além da base partidária, o governador investe em pautas econômicas e estruturais como vitrines de gestão, destacando obras de pavimentação e a implementação de parcerias público-privadas (PPPs) em áreas como infraestrutura rodoviária, saneamento e saúde. Paralelamente, busca protagonismo na formulação de propostas para o agronegócio em nível nacional, setor estratégico para o Estado.

Nesse contexto, Riedel chegou a apresentar ao senador sugestões elaboradas por representantes do setor produtivo para compor um eventual plano de governo presidencial. A iniciativa reforça sua tentativa de se posicionar como interlocutor técnico e político do agro, um dos pilares da economia sul-mato-grossense.

Oposição diversificada e disputa de narrativas

Do outro lado, a oposição se estrutura de forma fragmentada, explorando diferentes frentes de ataque ao governo estadual. Ex-presidente da OAB/MS e ex-deputado federal, Fábio Trad (PT) tem concentrado sua atuação nas redes sociais, onde construiu visibilidade ao criticar o bolsonarismo e apontar contradições da atual gestão.

Nos últimos movimentos, Trad ampliou o foco para questões locais, contrapondo o desempenho econômico do Estado com problemas na área social. Em publicações recentes, destacou a falta de medicamentos básicos e de médicos em regiões do interior, além de defender maior atenção à saúde mental diante dos índices elevados de suicídio.

Já João Henrique Catan (Novo) adota uma estratégia distinta: busca disputar o eleitorado conservador diretamente, questionando a legitimidade de Riedel como representante da direita. Para isso, combina discurso ideológico com uma comunicação mais informal e digital, utilizando animações com personagens caricaturais para criticar o governador, o ex-governador Azambuja e aliados políticos.

Na mesma faixa ideológica, o economista Renato Gomes (DC) opta por uma abordagem mais incisiva e técnica. Sua campanha tem explorado denúncias de problemas estruturais e o descumprimento de promessas da gestão anterior, frequentemente apoiadas em dados e estudos, em uma tentativa de conferir credibilidade ao discurso oposicionista.

Enquanto isso, o PSOL, representado por Lucien Rezende, ainda apresenta baixa movimentação na pré-campanha, especialmente nas redes sociais, mantendo-se à margem do debate mais ativo até o momento.

Disputa aberta, mas com favoritismo definido

A menos de seis meses do primeiro turno, o cenário indica uma disputa com múltiplas narrativas, mas com um favoritismo consolidado. Riedel aparece com índices de aprovação que chegam a 60% em algumas pesquisas, sustentado pela avaliação positiva do governo e pela ampla base de apoio político.

Ainda assim, a eleição tende a ser marcada por um embate entre continuidade e crítica social. Fábio Trad desponta como principal adversário, impulsionado pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode tensionar o cenário em um Estado historicamente inclinado ao centro-direita.

Ao mesmo tempo, candidaturas como a de João Henrique Catan parecem mirar não apenas o resultado imediato, mas também a construção de capital político para disputas futuras — sinalizando que, mais do que uma eleição, o pleito de 2026 pode ser também um laboratório estratégico para a reorganização das forças políticas no Estado.

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