Professores anunciam paralisação após Prefeitura negar reajuste
A rede municipal de ensino de Campo Grande deverá ficar sem aulas na próxima sexta-feira (12) após os professores decidirem realizar uma paralisação de 24 horas em protesto contra a decisão da Prefeitura de não aplicar o reajuste de 5,4% previsto na política de atualização do Piso Nacional do Magistério.
A mobilização foi aprovada durante Assembleia Geral Extraordinária promovida pela ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), que reuniu cerca de 300 profissionais da educação na noite desta segunda-feira.
Além da suspensão das atividades, a categoria programou uma manifestação pública. A concentração está marcada para as 7h30 na sede da ACP, de onde os participantes seguirão em passeata até o Paço Municipal, na Avenida Afonso Pena, sede da administração municipal.
Segundo a entidade sindical, a decisão foi tomada após análise da resposta apresentada pela Prefeitura em relação à reivindicação dos educadores. Em nota, a ACP informou que os professores discutiram a proposta do Executivo sobre a aplicação do reajuste vinculado à política do Piso 20 horas e, após debate, aprovaram por maioria a paralisação.
Para o sindicato, a mobilização representa a continuidade de uma luta histórica da categoria pela valorização profissional e pelo cumprimento de direitos previstos em lei. A entidade destacou que a negativa da administração municipal levou os educadores a intensificarem as ações de pressão em defesa dos compromissos assumidos com a educação pública.
O embate ocorre em meio à cobrança pelo cumprimento de uma promessa feita pela prefeita Adriane Lopes (PP) durante a campanha pela reeleição, em 2024. Na ocasião, a chefe do Executivo municipal comprometeu-se a implementar a Lei Municipal do Piso, que estabelece o pagamento do piso nacional do magistério para professores com jornada de 20 horas semanais.
A reivindicação, entretanto, se arrasta há mais de uma década. O direito foi conquistado pela categoria em 2012, durante o último ano da gestão do então prefeito Nelsinho Trad (PSD). Desde então, segundo os professores, sucessivas administrações municipais assumiram o compromisso de efetivar integralmente a legislação, mas acabaram adiando sua implementação.
Diante da ausência de um acordo e da manutenção da posição da Prefeitura, os docentes decidiram ampliar a mobilização. A paralisação prevista para sexta-feira deve atingir toda a Rede Municipal de Ensino, afetando aproximadamente 112 mil estudantes.
O movimento também ocorre em um contexto de insatisfação da categoria com a administração municipal. Os professores apontam que, enquanto o reajuste reivindicado permanece sem definição, a prefeita Adriane Lopes passou a receber salário 50% maior após sua reeleição, argumento que tem sido utilizado pelos educadores para reforçar as críticas à condução das negociações salariais.
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