Polícia

Raio-x da violência contra a mulher mostra aumento nos casos de feminicídio em MS

Foto: Marcos Santos/USP

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul divulgou nesta segunda-feira (31) a 2ª edição do mapa da violência doméstica contra a mulher no Estado, durante a pandemia da covid-19. Desta vez os dados foram levantados no período de 21 de abril a 21 de julho de 2020.

Os casos de novos feminicídios assustam porque, mesmo com diversas ações de prevenção, tiveram aumento. Na Capital foram constatadas seis novas mortes e 20 no interior. No mesmo período de 2019, Campo Grande também registrou seis casos e 18 no restante do Estado.

Outro fator grave detectado, a quantidade de tornozeleiras eletrônicas instaladas em autores de violência doméstica: 226 no mesmo período de 2019 contra 253 neste ano em território sul-mato-grossense.

O novo levantamento aponta que, no período analisado, houve a concessão de 1.106 medidas protetivas na Capital e 1.189 no interior. No mesmo período de 2019, foram 1.114 medidas protetivas em Campo Grande e 1.278 nas comarcas do interior.

Os dados apontam ainda 101 autos de prisão em flagrante na Capital e 474 no interior. Em 2019, os números mostraram 130 em Campo Grande e 465 no interior.

De acordo com a juíza Helena Alice Machado Coelho, responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, a queda nos registros não significa que houve diminuição na violência contra a mulher.

“Contudo, o fato de que em alguns Estados, incluindo o MS, os números de registros e de pedidos de medidas protetivas possam ter tido leve diminuição, não pode ser considerado, por si, indicativo de que a violência tenha diminuído, mas, sim, de que o acesso ao sistema de Justiça está prejudicado”, destaca Helena Alice Coelho.

A magistrada  lembra que, com o agravamento dos fatores de risco já existentes, aliados àqueles peculiares do período da pandemia, houve aumento mundial da violência doméstica e familiar contra mulher durante o isolamento social.

“Devemos lembrar que durante a pandemia as mulheres estão sobrecarregadas com cuidados da casa e dos filhos, que estão fora da escola. Além disso, muitas mulheres perderam suas fontes de renda, já que são elas que majoritariamente trabalham na informalidade. Diante desse contexto, temos que olhar os números com muito cuidado, já que muitas mulheres têm deixado de denunciar nesse momento, mas podem vir a tomar alguma atitude após a volta à ‘normalidade’”, apontou Helena Alice Coelho.

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