Sem pagamento, enfermagem paralisa atendimentos na Santa Casa de Campo Grande

7 de abril de 2026
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Trabalhadores do setor de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande realizaram um ato na manhã desta terça-feira (7), em frente ao hospital, contra sucessivos atrasos nos pagamentos. Cerca de 50% da categoria aderiu à mobilização e, em assembleia, aprovou indicativo de greve.

O Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) afirma que o setor financeiro do hospital informou não ter recebido os repasses da complementação do piso da enfermagem referentes a fevereiro, que deveriam ser encaminhados pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

Lázaro Santana. (Arquivo Midiamax)

Lázaro Santana, presidente do sindicato, afirmou que a paralisação já foi iniciada, com manutenção de 50% do efetivo em atividade para não comprometer o atendimento aos pacientes.

 

“Vamos manter metade dos trabalhadores para não haver risco aos pacientes, mas a complementação do piso não foi paga. É um recurso federal, que já foi enviado e, em poucos dias, caiu no fundo municipal”, disse.

Segundo ele, o município já teria recebido os valores do Governo Federal, mas aguardou o prazo de até 30 dias para repasse, que venceu na sexta-feira (3).

Ainda na manhã desta terça (7), representantes do Siems foram até a Sesau em busca de uma reunião com o secretário de Saúde.

Lazáro também destaca que a categoria demonstrou preocupação com o pagamento do salário deste mês, já que a Santa Casa sinalizou não ter recursos. “Caso não haja pagamento, iremos nos reunir novamente na quinta-feira (9), e a paralisação irá continuar.”

‘Todos mês temos que fazer greve’

Elaine
Elaine Lourenço. (Captura de Tela, Leo de Fraça/Jornal Midiamax)

Técnica de enfermagem, Elaine Lourenço de Mendonça, de 42 anos, atua há dois anos na Santa Casa e relata que os problemas se arrastam desde dezembro, com parcelamento do 13º salário, atrasos recorrentes e pendências no pagamento do piso.

“Todo mês a gente precisa fazer greve, pressionar, acionar a mídia. Muitos aqui têm filhos, são mães solo e dependem de pagar aluguel, mas não conseguem arcar com contas básicas ou garantir o mínimo para a família”, afirmou.

Ela ressalta que, devido ao atraso, não pode nem comprar chocolates para o filho na Páscoa, celebrada no domingo (5).

“Na Páscoa, ninguém recebeu. Não conseguimos nem dar um chocolate para os filhos. Deveriam ter pago o piso até o dia 4, mas isso não aconteceu”, completou.

Atualmente, a Santa Casa conta com cerca de 1,4 mil profissionais de enfermagem, dos quais aproximadamente 300 estão afastados, o que já gera déficit na equipe mesmo antes da paralisação.

O que diz a Sesau?

Em nota, a Sesau informou que, conforme a Portaria GM/MS nº 1.135, de 16 de agosto de 2023, o município tem o prazo de até 30 dias para fazer o repasse, contados a partir do depósito. No entanto, segundo a pasta, o feriado prolongado impactou o pagamento.

“Com o feriado prolongado, não houve tempo hábil para finalizar os trâmites legais para o repasse, que deverá ocorrer ainda nesta terça-feira (7), quando o valor estará disponível aos profissionais”, diz a nota.

O prazo teria se encerrado na última sexta-feira (3). Porém, na quinta-feira (2), a Prefeitura de Campo Grande decretou ponto facultativo e, na sexta, foi celebrado o feriado nacional da Paixão de Cristo. Além disso, o sábado não conta como dia útil para a administração municipal. Ainda assim, os profissionais da enfermagem ressaltam que seguem trabalhando normalmente nesses períodos.

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