Sete candidatos disputam o Governo de Mato Grosso do Sul

9 de agosto de 2026
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O cenário da disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul nas Eleições de 2026 está definido após a realização das convenções partidárias. Sete candidatos tiveram seus nomes oficializados entre 20 de julho e 5 de agosto e agora aguardam o registro das candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), procedimento que deve ser concluído até 15 de agosto.

A eleição será realizada em dois turnos, caso necessário. O primeiro está previsto para 4 de outubro, enquanto o segundo, se houver, ocorrerá em 25 de outubro.

Os candidatos são Daniel Lemes (PCO), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC). A seguir, confira o perfil de cada um, em ordem alfabética.

DANIEL LEMES (PCO)

Liderança indígena guarani-kaiowá de Amambai, Daniel Lemes Vasques é professor do ensino fundamental e atua há décadas na defesa dos direitos dos povos indígenas. Antes de ingressar no Partido da Causa Operária (PCO), permaneceu por mais de 20 anos filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Integra o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) e participa da Aty Guasu, principal assembleia das lideranças guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul. Em 2024, tornou-se o primeiro indígena a disputar a Prefeitura de Amambai pelo PCO. Agora, concorre pela primeira vez ao Governo do Estado.

EDUARDO RIEDEL (PP)

Candidato à reeleição, Eduardo Riedel é empresário e produtor rural. Sua trajetória na administração pública começou durante o primeiro mandato do então governador Reinaldo Azambuja (PL), após ocupar posições de liderança ligadas ao setor produtivo.

Em 2015, assumiu a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica, função que exerceu até 2021, quando passou a comandar a Secretaria de Estado de Infraestrutura. Estreou nas disputas eleitorais em 2022, concorrendo ao Governo de Mato Grosso do Sul, sendo eleito em segundo turno. Em 2026, busca um novo mandato.

FÁBIO TRAD (PT)

Advogado e professor universitário, Fábio Trad, de 56 anos, pertence a uma família tradicional da política sul-mato-grossense. Sua carreira eleitoral foi construída na Câmara dos Deputados, onde exerceu três mandatos consecutivos entre 2011 e 2023.

Durante sua atuação parlamentar, integrou comissões ligadas à área jurídica, incluindo a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Em 2011, presidiu a comissão especial responsável pela elaboração da reforma do Código de Processo Civil, cuja versão final foi sancionada em 2015.

Ao longo da carreira, foi filiado ao MDB e ao PSD. Em agosto de 2025, deixou o PSD para ingressar no Partido dos Trabalhadores, legenda pela qual disputa o Governo do Estado.

JEFFERSON BEZERRA (AGIR)

Empresário do setor de comunicação e jornalista com mais de duas décadas de atuação, Jefferson Bezerra, de 53 anos, preside o diretório estadual do Agir em Mato Grosso do Sul e liderou o processo de reorganização e expansão do partido no Estado.

Sua trajetória eleitoral começou em 2016, quando disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Dourados. Em 2020, concorreu à Prefeitura do município e, dois anos depois, disputou uma vaga no Senado Federal. A candidatura ao Governo do Estado em 2026 marca sua primeira participação na corrida pelo Executivo estadual.

JOÃO HENRIQUE CATAN (NOVO)

Advogado e deputado estadual em segundo mandato, João Henrique Catan iniciou sua trajetória na Assembleia Legislativa após ser eleito em 2018, sendo reconduzido ao cargo nas eleições de 2022.

Ao longo da atividade parlamentar, consolidou uma atuação de oposição ao Executivo estadual, com foco na fiscalização da administração pública e na defesa de pautas como redução da carga tributária, liberdade econômica, fortalecimento do agronegócio, direito à propriedade privada e bandeiras conservadoras.

Em 2020, disputou a Prefeitura de Campo Grande, sem sucesso. Filiado ao PL entre 2018 e 2026, migrou posteriormente para o Partido Novo, legenda pela qual disputa o Governo de Mato Grosso do Sul defendendo uma plataforma de orientação liberal-conservadora.

LUCIEN REZENDE (PSOL)

Produtor rural de 62 anos, Lucien Rezende também exerceu o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Econômico em Ribas do Rio Pardo.

Sua primeira candidatura ocorreu em 2014, quando concorreu ao Senado Federal pelo PSOL, integrando a chapa liderada por Sidney Melo na disputa pelo Governo do Estado. Embora não tenha sido eleito, ampliou sua projeção política e fortaleceu sua liderança dentro da legenda.

Posteriormente, assumiu a presidência do diretório estadual do PSOL em Mato Grosso do Sul, função que permanece exercendo e a partir da qual chega à disputa pelo Executivo estadual.

RENATO GOMES (DC)

Natural de Campo Grande, Renato Gomes tem 40 anos, é economista e graduado em Economia e Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, cidade onde viveu durante uma década.

Sua trajetória profissional inclui passagens pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas e pelo banco BTG Pactual, com atuação no Rio de Janeiro e em Brasília.

Atualmente, atua como empresário no setor de contabilidade em Campo Grande e representa o Democracia Cristã (DC) na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul em 2026.

 

Disputa pelo Senado reúne nove candidatos e amplia a diversidade de perfis

Com a definição das convenções partidárias, a corrida pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado Federal passa a reunir nove candidatos de diferentes espectros políticos e trajetórias profissionais. Estão na disputa Beto do Movimento (PSOL), Daniel Júnior (Agir), Luiz Lemes (DC), Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL), Roberto Oshiro (Novo), Soraya Thronicke (PSB), Valderi Garcia (PCO) e Vander Loubet (PT).

As candidaturas foram homologadas entre 20 de julho e 5 de agosto e, assim como ocorre nas demais disputas deste ano, ainda dependem do registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo prazo termina em 15 de agosto.

A seguir, conheça o perfil dos postulantes à Câmara Alta.

BETO DO MOVIMENTO (PSOL)

Conhecido politicamente como Beto do Movimento, Jonas Carlos da Conceição atua como coordenador nacional do Movimento Popular de Luta (MPL) e preside a Associação de Produtores da Agricultura Familiar (APAF). Sua candidatura está centrada na representação de agricultores familiares, trabalhadores rurais e movimentos sociais, buscando ampliar a presença dessas pautas no Congresso Nacional.

DANIEL JÚNIOR (AGIR)

Advogado, Daniel Rodrigues Júnior consolidou sua atuação política dentro do Agir e se apresenta como uma alternativa à polarização entre direita e esquerda. Entre os principais temas defendidos em sua campanha está o enfrentamento às organizações criminosas e às facções que atuam em Mato Grosso do Sul.

LUIZ LEMES (DC)

Engenheiro, Luiz Lemes já disputou cargos eletivos nas duas últimas eleições. Em 2022, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa e, dois anos depois, participou da eleição para a Prefeitura de Sidrolândia. Agora, representa o Democracia Cristã na disputa pelo Senado, após a decisão da legenda de lançar candidatura própria ao cargo.

CAPITÃO CONTAR (PL)

Renan Barbosa Contar ingressou na vida pública após construir carreira militar no Exército Brasileiro, onde se formou pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Foi eleito deputado estadual em 2018, durante o avanço das candidaturas alinhadas ao bolsonarismo, e quatro anos depois disputou o Governo de Mato Grosso do Sul pelo PRTB, chegando ao segundo turno. Em 2026, busca uma vaga no Senado pelo Partido Liberal.

REINALDO AZAMBUJA (PL)

Depois de exercer cargos no Executivo estadual e federal, Reinaldo Azambuja tenta ampliar sua trajetória política com uma candidatura ao Senado. Empresário e produtor rural, iniciou sua carreira eleitoral em Maracaju, onde foi prefeito por dois mandatos consecutivos.

Na sequência, exerceu mandato como deputado estadual e, posteriormente, como deputado federal. Em 2014, foi eleito governador de Mato Grosso do Sul e reconduzido ao cargo em 2018. Agora filiado ao PL, retorna à disputa eleitoral buscando uma cadeira no Senado Federal.

ROBERTO OSHIRO (NOVO)

Advogado e empresário, Roberto Oshiro ganhou projeção mais recente ao integrar, como candidato a vice-prefeito, a chapa encabeçada por Rose Modesto nas eleições municipais de 2024. Em sua candidatura ao Senado, defende propostas voltadas à eficiência da administração pública, redução da burocracia e renovação dos quadros políticos.

SORAYA THRONICKE (PSB)

Natural de Dourados, Soraya Thronicke, de 53 anos, exerce atualmente mandato de senadora por Mato Grosso do Sul. Foi eleita em 2018 pelo então PSL, legenda que posteriormente se fundiu ao DEM para formar o União Brasil.

Naquele pleito, apoiou Jair Bolsonaro na disputa presidencial. Em 2022, concorreu à Presidência da República pelo União Brasil, encerrando a eleição na quinta colocação. Nos anos seguintes, migrou para o Podemos, partido no qual permaneceu até 2026, quando se filiou ao PSB. Pela nova legenda, disputa a renovação do mandato no Senado.

VALDERI GARCIA (PCO)

Agricultor e liderança indígena, Valderi Garcia construiu sua atuação política na Reserva Indígena de Dourados, onde participa da defesa de demandas relacionadas aos direitos dos povos indígenas, incluindo acesso à terra, moradia e serviços públicos essenciais.

Antes da atual candidatura ao Senado, disputou a Prefeitura de Dourados pelo Partido da Causa Operária (PCO).

VANDER LOUBET (PT)

Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul, Vander Loubet, de 62 anos, iniciou sua militância no movimento estudantil de Campo Grande e, posteriormente, no movimento sindical dos bancários.

Sua experiência na administração pública inclui passagens pela Casa Civil e pela Secretaria de Infraestrutura, Obras e Habitação do governo estadual entre 1999 e 2002. No mesmo ano, foi eleito deputado federal com a maior votação do Estado. Desde então, manteve uma sequência de reeleições em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, permanecendo na Câmara dos Deputados e chegando à disputa pelo Senado com mais de duas décadas de atuação no Legislativo federal.

TCU lista gestores com contas irregulares: MS concentra 64 nomes

O processo de análise dos registros de candidatura para as eleições de 2026 contará com um novo elemento de consulta por parte da Justiça Eleitoral. O Tribunal de Contas da União (TCU) encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira (4), a relação de gestores e responsáveis por contas julgadas irregulares nos últimos oito anos. Em Mato Grosso do Sul, o levantamento reúne 64 pessoas, embora o documento apresente 79 registros em razão de ocorrências envolvendo um mesmo nome em diferentes processos.

A inclusão no cadastro, contudo, não representa impedimento automático à participação nas eleições. A eventual inelegibilidade será definida caso a caso durante o julgamento dos pedidos de registro de candidatura, quando a Justiça Eleitoral verificará o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela Lei da Ficha Limpa.

Entre os sul-mato-grossenses relacionados pelo TCU estão o vereador de Campo Grande Jamal Mohamed Salem e os ex-prefeitos Ari Basso, de Sidrolândia; Arlei Silva Barbosa, de Nova Alvorada do Sul; Celso Luiz da Silva Vargas, de Maracaju; Dinalva Garcia Lemos de Morais Mourão, de Coxim; e Éder Moreira Brambilla, de Corumbá.

Também figuram na lista Dilson Deguti Vieira, ex-prefeito de Fátima do Sul; José Garcia de Freitas, ex-prefeito de Paranaíba; Neder Afonso da Costa Vedovato, ex-prefeito de Miranda; e Júlio Cesar de Souza, ex-prefeito de Paranhos.

A relação foi elaborada a partir do Cadastro de Contas Julgadas Irregulares (Cadirreg), base que reúne decisões definitivas proferidas pelo Tribunal de Contas da União. Para fins eleitorais, são considerados apenas os processos com julgamento definitivo ocorridos nos oito anos anteriores ao pleito.

O TCU ressalta que sua atribuição limita-se ao envio das informações ao Tribunal Superior Eleitoral, sem qualquer manifestação sobre a elegibilidade dos envolvidos. O órgão também esclarece que não analisa, nessa etapa, se as irregularidades decorreram de ato doloso de improbidade administrativa — avaliação que compete exclusivamente à Justiça Eleitoral durante a apreciação de cada candidatura.

As decisões que resultam na inclusão de um responsável no cadastro podem decorrer de diferentes situações, entre elas ausência de prestação de contas, utilização irregular de recursos públicos, prejuízo ao erário ou desvio de bens e valores públicos. A natureza da irregularidade, entretanto, varia conforme as circunstâncias de cada processo.

Os responsáveis incluídos no Cadirreg passam a ter emitida certidão positiva de contas julgadas irregulares para fins eleitorais. Já aqueles que não constam na base podem solicitar certidão negativa, documento com validade de 30 dias. Segundo o Tribunal de Contas da União, o cadastro permanecerá em atualização diária até 18 de dezembro, permitindo a inclusão ou exclusão de nomes conforme o surgimento de novas decisões definitivas.

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