Mão com luva segurando bolsa de sangue etiquetada, com profissional de máscara desfocado ao fundo

SUS publica protocolo para tratar crianças com hemofilia A com emicizumabe, remédio aplicado sob a pele

16 de outubro de 2026,
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Mão com luva segurando bolsa de sangue etiquetada, com profissional de máscara desfocado ao fundo
Profissional de hemocentro segura bolsa de sangue; hemofilia A é uma doença da coagulação — Foto: Hemorio/Divulgação, via Agência Brasil

O Ministério da Saúde aprovou o protocolo que orienta o uso do emicizumabe no SUS para crianças de até 6 anos com hemofilia A que não têm inibidores do fator VIII da coagulação. A medida está na Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 80, de 15 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União de quinta-feira (15), e vale desde a publicação.

A hemofilia A é uma doença hereditária em que o sangue tem pouco fator VIII, proteína que ajuda na coagulação. No tratamento tradicional, o fator VIII é reposto por infusão na veia. O emicizumabe é aplicado por via subcutânea (sob a pele), o que o ministério considera menos invasivo, e, segundo a pasta, também reduz a frequência dos sangramentos.

Quem pode receber

O medicamento foi incorporado ao SUS pela Portaria SCTIE/MS nº 94, de 26 de dezembro de 2025, para o tratamento preventivo (profilaxia) de crianças com: – hemofilia A grave ou com atividade de fator VIII inferior a 2%; – sem anticorpos inibidores do fator VIII; – até 6 anos de idade no início do tratamento.

O protocolo publicado agora estabelece os critérios de diagnóstico, de inclusão e de exclusão, as condições do tratamento e os mecanismos de regulação, controle e avaliação. Ele tem abrangência nacional e deve ser seguido pelas secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, que precisam definir os serviços de referência e os fluxos de atendimento.

Como deve funcionar

Pela versão do protocolo levada à consulta pública pela Conitec (comissão que avalia tecnologias no SUS), o acompanhamento fica com o Centro de Tratamento de Hemofilia (CTH): – a criança precisa estar cadastrada no sistema nacional de registro de pacientes com coagulopatias (Hemovida Web Coagulopatias); – a família assina um termo de esclarecimento e responsabilidade; – as primeiras aplicações são feitas no CTH, e os responsáveis são treinados para aplicar o remédio; – a família registra cada aplicação em um diário e devolve os frascos usados ao centro; – depois da fase inicial, a aplicação pode ser semanal, a cada duas ou a cada quatro semanas, conforme a orientação da equipe.

O emicizumabe é preventivo: não trata um sangramento que já começou. Nesses casos, continua sendo usado o fator VIII.

Antes do tratamento, o paciente ou o responsável legal deve ser informado sobre riscos, efeitos colaterais e eventos adversos possíveis.

O que a família deve fazer

Quem tem filho com hemofilia A dentro desse perfil deve procurar o centro de tratamento de hemofilia onde a criança já é acompanhada. O texto completo do protocolo fica no site do Ministério da Saúde, na área de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

Fontes: Diário Oficial da União — Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 80 (Seção 1, 15/10/2026); Agência Brasil — Saúde aprova protocolo; Estratégia MED — Portaria Conjunta nº 80; Conitec — relatório do protocolo (consulta pública).

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