Tempestade supera média histórica e provoca alagamentos e danos em Campo Grande

31 de julho de 2026
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Campo Grande foi atingida por um forte temporal na madrugada desta quinta-feira (30), em um dos episódios de chuva mais intensos registrados neste mês. Em apenas cinco horas, a Capital acumulou 67,4 milímetros de precipitação, volume que corresponde a 188,8% da média histórica de julho, estimada em 35,7 milímetros pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O acumulado também supera em 272% toda a chuva registrada durante o mês de julho de 2025, quando foram contabilizados apenas 9,6 milímetros, conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).

Além do elevado volume de chuva, o temporal foi acompanhado por granizo, rajadas de vento, intensa atividade elétrica e trovoadas, causando alagamentos, queda de galhos, interrupções no fornecimento de energia elétrica e falhas no funcionamento de semáforos em diferentes regiões da cidade.

A instabilidade ganhou força por volta das 4h30, surpreendendo moradores que foram despertados pelo barulho dos trovões e pela intensidade das rajadas de vento. Segundo o meteorologista da Uniderp, Natálio Abraão, entre 5h e 6h foram registrados 15 milímetros de chuva na Capital, período em que as rajadas alcançaram 53 km/h.

Os maiores acumulados pluviométricos desta quinta-feira foram registrados na região do Bairro Universitário, na zona sul da cidade. No Aero Rancho, as estações meteorológicas apontaram 59,6 milímetros de chuva, enquanto o Jardim Panamá contabilizou 46,2 milímetros.

Os impactos do temporal foram sentidos em diferentes bairros. No Bairro Pioneiros, moradores registraram queda de granizo suficiente para cobrir o piso de varandas com pedras de gelo. Na mesma região, também houve relatos de oscilações no fornecimento de energia, com interrupções sucessivas e restabelecimento parcial do serviço ao longo da manhã.

As fortes chuvas também comprometeram a mobilidade urbana. Na Rua Rodolfo José Pinho, um bueiro transbordou em razão do grande volume de água. Já a Rua Portuguesa ficou completamente alagada, dificultando a circulação de veículos.

Problemas também foram registrados na sinalização viária. Diversos semáforos deixaram de funcionar ou operaram de forma parcial durante as primeiras horas do dia. Entre os pontos afetados está o cruzamento das ruas José Antônio e Dom Aquino, onde motoristas precisaram redobrar a atenção diante da ausência do controle semafórico.

A força do vento provocou ainda a queda de galhos em diferentes pontos da Capital, entre eles a Rua Valparaíso com a Avenida Laudelino Barcelos, nas proximidades da Avenida Ernesto Geisel, além da Avenida das Bandeiras, no trecho entre as ruas Ceres e Texaco. No Bairro Noroeste, moradores também registraram chuva intensa durante a passagem do sistema.

O cenário observado em Campo Grande ocorre enquanto Mato Grosso do Sul permanece sob alerta de tempestade emitido pelo Inmet. O aviso, em vigor desde a meia-noite desta quinta-feira, prevê precipitações entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo atingir até 50 milímetros ao longo do dia, além da possibilidade de ventos fortes e queda de granizo.

De acordo com a previsão meteorológica, as instabilidades tendem a perder intensidade temporariamente durante a manhã, mas devem voltar a se fortalecer entre a tarde e o início da noite, principalmente nas regiões oeste e noroeste do Estado. Para Campo Grande, a expectativa é de melhora gradual das condições do tempo durante a noite.

No interior de Mato Grosso do Sul, a previsão também indica pancadas de chuva de moderada a forte intensidade acompanhadas por trovoadas. Os maiores acumulados são esperados para Maracaju, enquanto municípios como Antônio João e Jateí também devem registrar precipitações ao longo do dia.

A tendência, entretanto, é de estabilização das condições meteorológicas nos próximos dias. A previsão aponta retorno do tempo firme em Campo Grande durante o fim de semana, com predomínio de sol, temperaturas elevadas e redução significativa das chuvas, sem expectativa de queda acentuada nos termômetros.

Especialistas avaliam que o padrão atmosférico observado está relacionado à combinação entre o forte aquecimento registrado nos últimos dias e o processo de formação do fenômeno El Niño. As temperaturas elevadas favoreceram a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir chuvas intensas, granizo e descargas elétricas.

Embora o El Niño ainda esteja em fase de desenvolvimento, os modelos climáticos indicam fortalecimento gradual ao longo dos próximos meses. A expectativa é que o fenômeno alcance sua maior intensidade entre setembro e novembro, período da primavera, ampliando sua influência sobre o regime de chuvas e as temperaturas em Mato Grosso do Sul.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica global ao enfraquecer os ventos alísios, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão indica um El Niño de intensidade entre fraca e moderada. Já as projeções climáticas apontam intensificação progressiva entre setembro e dezembro, quando o fenômeno poderá atingir intensidade forte ou muito forte.

As estimativas para o período indicam acumulados de chuva entre 100 e 200 milímetros na maior parte de Mato Grosso do Sul, com volumes que podem alcançar entre 200 e 300 milímetros no extremo sul do Estado. Nas regiões norte, nordeste e noroeste, a expectativa é de precipitações menores, variando entre 50 e 100 milímetros durante o trimestre.

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