TRE-MS reforça confiança nas urnas e compara: ‘Jogavam cédulas no Rio Paraguai’
O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) está na reta final de preparação para o primeiro turno das Eleições 2026, o que inclui as urnas eletrônicas. Mais de dois milhões de sul-mato-grossenses estão aptos a votar no próximo domingo (4).
O juiz auxiliar da Presidência do TRE-MS, Luiz Felipe Medeiros, ressalta que nunca foram encontradas irregularidades desde a implantação das urnas eletrônicas, em 1996. Ele compara o uso do equipamento com o sistema de votação antigo — com cédulas de papel e apuração manual —, em que fraudes eram registradas, inclusive em Mato Grosso do Sul. Entre as dificuldades na época, havia as confusões na hora do escrutinador “decifrar” as caligrafias ruins.
“No início de carreira, quando eu trabalhava em uma comarca do interior, contavam os mais antigos que, após o resultado da eleição, três dias depois, encontravam várias cédulas boiando no Rio Paraguai. Então você vê, de fato, o que ocorreu no interior do Estado. Hoje, isso é impossível. Não há papel. Tudo é guardado na memória da urna eletrônica e transmitido de maneira criptografada para o TSE [Tribunal Superior Eleitoral].”
Neste sábado (3), às 14h, na sede do TRE-MS, será realizada a eventual atualização dos candidatos e liberado o Sistot (Sistema de Gerenciamento da Totalização) para apuração da totalização dos votos no 1º turno. Também será emitida a Zerésima, um relatório oficial que comprova publicamente a ausência de votos computados no sistema. Os eleitores podem acompanhar todas as etapas.
“Se o eleitor pegar o boletim de urna da sua seção eleitoral e entrar no site do TSE, confrontar o resultado, que é feito da urna, e depois o que foi apurado, vai observar que os dados das urnas são exatamente os mesmos entre o boletim de urna e o resultado da eleição apurado pelo TSE. Então, não há nenhuma dificuldade de entender que a urna eletrônica é um instrumento útil, eficaz e extremamente confiável, sendo impossível a sua violação”, destaca.
O juiz reforça que agentes de segurança irão atuar para garantir a tranquilidade das eleições, como a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal. Cidades de fronteira, como Bela Vista, Caracol, Ponta Porã, Aral Moreira e Antônio João, terão apoio das Forças Armadas.
Em Mato Grosso do Sul, são 27.960 mesários, mais de 400 servidores da Justiça Eleitoral, além de convocados de outras pastas, totalizando quase 1,8 mil servidores trabalhando no dia do pleito.

Eleitores podem ser presos
Em 2022, um jovem foi preso em Campo Grande logo após a votação por ter danificado uma urna eletrônica. Ele votou e, logo depois, passou uma supercola nas teclas do aparelho. O juiz Luiz Felipe Medeiros foi quem deu voz de prisão ao eleitor e ressaltou a celeridade da Justiça Eleitoral em identificar quem era o responsável, além da possibilidade de receber uma pena alta de prisão.
“Foi muito fácil de identificar, porque o eleitor seguinte constatou o problema na urna eletrônica e avisou a mesária. Então, imediatamente, nós identificamos o eleitor com o endereço dele e fomos até a casa dele. Ele foi preso em flagrante por ter cometido, naquele momento, esse crime de danificar o patrimônio, danificar a urna eletrônica, e há uma pena de até quatro anos de prisão”, alerta.
Medeiros estima que a média de abstenção nas últimas eleições em Mato Grosso do Sul foi de 20% a 25%, o que deve se manter neste ano. Sobre as expectativas nas Eleições 2026, o juiz ressalta a importância dos eleitores analisarem as possibilidades de candidatos e não faltarem ao dia da votação.
“A escolha compete ao eleitor e, neste momento, é dada a oportunidade pra ele [dizer] se está ou não contente. As opções de candidatos são das mais variadas possíveis”, destaca.
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