Desigualdade salarial persiste em MS

1 de maio de 2026
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A disparidade salarial entre homens e mulheres segue como traço estrutural do mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul. Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, indicam que as mulheres recebem, em média, 26,16% a menos que os homens no estado.

O levantamento considera vínculos formais em empresas com 100 ou mais empregados. Em dezembro de 2025, a remuneração média feminina foi de R$ 3.065,70, enquanto a masculina atingiu R$ 4.151,02 — uma diferença que ultrapassa R$ 1 mil mensais.

A desigualdade se aprofunda quando analisada sob o recorte racial. Mulheres negras apresentaram rendimento médio de R$ 2.658,43, significativamente inferior ao das mulheres não negras, que receberam R$ 3.706,03. Entre os homens, os trabalhadores negros tiveram média salarial de R$ 3.701,36, enquanto os não negros alcançaram R$ 5.067,47. Os números evidenciam a sobreposição de desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho.

No contexto nacional, o cenário mantém padrão semelhante, embora com diferença ligeiramente menor. No setor privado brasileiro, mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que os homens, segundo o mesmo relatório.

Além da disparidade salarial, a participação feminina nas grandes empresas também permanece limitada. Em Mato Grosso do Sul, mulheres ocupam 36,7% dos postos de trabalho em empresas desse porte — o equivalente a 83 mil vínculos de um total de 226,1 mil.

O estado contabiliza 652 estabelecimentos com mais de 100 empregados. Neles, a distribuição dos vínculos revela predominância masculina: são 143,1 mil postos ocupados por homens, frente aos 83 mil ocupados por mulheres.

Entre as trabalhadoras, a maioria é composta por mulheres negras, que representam 60,2% dos vínculos femininos (50 mil). Já as mulheres não negras somam 32,9 mil postos, correspondendo a 39,6%. Entre os homens, 66,4% dos vínculos são ocupados por negros (95,1 mil), enquanto os não negros representam 33,5% (48 mil).

O relatório também aponta uma tendência de crescimento na inserção de mulheres pretas e pardas no mercado formal em nível nacional. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos ocupados por esse grupo em empresas com mais de 100 funcionários aumentou 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões — um acréscimo superior a 1 milhão de postos formais.

Apesar do avanço na inclusão, os dados sugerem que a ampliação do acesso ao emprego não tem sido acompanhada, na mesma proporção, pela redução das desigualdades salariais — um indicativo de que a equidade no mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta entraves estruturais.

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